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Seattle, 21 de maio de 2026 – A prefeita de Seattle, Katie Wilson, recuou publicamente de declarações críticas feitas contra o Starbucks, uma das empresas mais emblemáticas da cidade. Em novembro de 2025, durante uma manifestação de funcionários, Wilson havia afirmado: “Eu não compro Starbucks, e você também não deveria”.
Após o anúncio de que a companhia planeja transferir 2.000 empregos para um novo escritório em Nashville, no Tennessee, a prefeita admitiu que os comentários “causaram mais mal do que bem”. Em entrevista ao New York Times, ela afirmou buscar agora uma “relação multidimensional” com as grandes empresas e manifestou o desejo de que o Starbucks continue operando em Seattle.
O episódio reflete um padrão observado em diversas prefeituras governadas pela ala mais à esquerda do Partido Democrata, muitas delas com forte influência da Democratic Socialists of America (DSA).
Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani produziu um vídeo em frente ao residencial de luxo do bilionário Ken Griffin, defendendo a criação de um imposto sobre segundas residências de alto valor. Griffin respondeu acelerando a realocação de investimentos para Miami.
Em Chicago, o prefeito Brandon Johnson tem proposto novos tributos sobre grandes corporações e indivíduos de alta renda, incluindo um “head tax” por funcionário, com o objetivo de financiar programas sociais.
Essas administrações adotam o argumento de que empresas e indivíduos de alto patrimônio devem contribuir de forma mais significativa para o financiamento de políticas redistributivas. No entanto, o resultado frequente tem sido a migração de companhias e residências fiscais para estados com menor carga tributária, como Flórida, Texas e Tennessee.
Casos recentes incluem a saída ou redução de presença da Citadel, Boeing e Caterpillar, além da decisão do Starbucks de expandir em Nashville.
A China como grande beneficiária indireta
A China, apesar das tarifas americanas elevadas e dos riscos geopolíticos, continua oferecendo o que muitas empresas buscam: mão de obra abundante e barata, generosos subsídios estatais, infraestrutura de ponta e, principalmente, menos “surpresas ideológicas”.
Enquanto prefeitos socialistas americanos tratam grandes empresas como adversárias a serem taxadas e pressionadas, Pequim as recebe como parceiras estratégicas para o desenvolvimento nacional.
As grandes montadoras e indústrias que deixam os Estados Unidos não desaparecem — elas simplesmente se realocam. Muitas transferem produção para a China ou para outros países com ambiente mais previsível, reforçando a competitividade industrial chinesa. O resultado indireto é o enfraquecimento relativo da capacidade industrial e econômica dos Estados Unidos em diversos setores, com ganho correspondente de competitividade chinesa. Em Pequim, analistas e autoridades celebram internamente cada vez que veem prefeitos americanos, os comunistas Light do partido democrata, “expulsando” suas próprias empresas com retórica e políticas hostis.
Os recuos recentes em Seattle e Nova York indicam que as lideranças locais começam a reconhecer os impactos econômicos dessas posturas, embora os efeitos sobre a arrecadação e a geração de empregos já estejam em curso.


