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Boston – 16 de junho de 2026: A prefeita de Boston, Michelle Wu, foi duramente criticada por uma organização católica após equiparar a reforma do salão de baile da Casa Branca, promovida pelo presidente Donald Trump, à falta de financiamento para o que chamou de “cuidados de afirmação de gênero” para “jovens”. As declarações, feitas durante cerimônia de hasteamento da bandeira do Orgulho LGBTQ+ em 1º de junho, ganharam repercussão nacional após serem divulgadas por influenciadores conservadores.
Em discurso na City Hall, Wu afirmou que a administração Trump “prefere reformar o salão de baile da Casa Branca a financiar cuidados de afirmação de gênero que salvam vidas de jovens”. Ela também acusou o governo federal de “aterrorizar imigrantes cumpridores da lei” e de priorizar “iniciar uma guerra” em vez de reconhecer militares transgêneros.
O vídeo do discurso foi compartilhado pela conta conservadora Libs of TikTok com a legenda: “Prefeita de Boston Michelle Wu reclama que Trump está fazendo reformas em Washington em vez de financiar cirurgias de mudança de sexo e livros pornográficos para crianças”. A publicação viralizou no domingo.
Boston Mayor Michelle Wu complains that Trump is doing renovations in DC over funding s*x change surgeries and p**n books for kids pic.twitter.com/M3EjEKvsa6
— Libs of TikTok (@libsoftiktok) June 14, 2026
A Catholic Action League of Massachusetts classificou as declarações de Wu como defesa de “abuso infantil”. Em nota enviada, o diretor-executivo da entidade, C.J. Doyle, afirmou:
> “Quando a prefeita Wu se refere aos chamados ‘cuidados de afirmação de gênero’, ela recorre a um eufemismo enganoso para disfarçar a mutilação cirúrgica e química de menores, que é abuso infantil.”
Doyle questionou ainda a coerência do argumento progressista sobre o desenvolvimento cerebral:
> “Somos constantemente informados pelo sistema de justiça criminal de que infratores jovens não são totalmente responsáveis por seus atos porque o cérebro só amadurece na casa dos 20 anos. Se isso é verdade, por que procedimentos cirúrgicos irreversíveis estão sendo realizados em crianças, algumas das quais nem sequer atingiram a puberdade?”
Contexto legal e polêmica
Mais de 20 estados americanos proibiram o acesso de menores a tratamentos de afirmação de gênero, incluindo bloqueadores de puberdade, hormônios cruzados e cirurgias. Em Massachusetts, o procedimento continua legal, geralmente exigindo consentimento dos pais para jovens abaixo de 18 anos. No entanto, uma orientação do governo estadual permite que médicos dispensem o consentimento parental caso considerem a criança “madura o suficiente” para decidir.
A gestão de Wu não respondeu a pedidos de esclarecimento sobre qual faixa etária estaria abrangida pela expressão “young people” nem sobre quais tratamentos específicos defendia.
Críticos nas redes sociais também questionaram o uso de recursos públicos para financiar tais procedimentos. Um usuário no X escreveu: “Mudar de sexo é uma decisão pessoal. Fazer isso é como eu pedir que paguem minha lipoaspiração porque me identifico como uma pessoa mais magra”.
A polêmica ocorre em meio ao acirramento do debate cultural nos Estados Unidos sobre direitos LGBTQ+, educação e limites da medicina em menores de idade. Enquanto defensores dos “cuidados de afirmação de gênero” argumentam que o tratamento reduz riscos de suicídio, opositores — incluindo setores médicos conservadores e religiosos — sustentam que a maioria dos casos de disforia de gênero em crianças e adolescentes se resolve naturalmente com o tempo e que intervenções hormonais e cirúrgicas trazem consequências irreversíveis.
Até o momento, a prefeita Michelle Wu não se manifestou sobre as críticas da Catholic Action League.


