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Mooresville, Carolina do Norte –16 de junho de 2026- Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don”, foi preso após intensa perseguição policial em Mooresville, na Carolina do Norte. De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS/ICE), ele foi abordado pela polícia, tentou fugir em alta velocidade, colidiu com outros veículos, abandonou o carro e correu a pé, mas foi capturado. Dentro do veículo os agentes encontraram uma pistola calibre 9 mm carregada, múltiplos celulares, computadores, grande quantidade de dinheiro em espécie e outros itens. Ele também é acusado de manter a própria esposa em cárcere privado, informação confirmada pela vítima.
A prisão ocorreu exatamente no dia em que o governo americano oficializou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de Foreign Terrorist Organizations (FTOs).
Dell Aquilla é procurado pela Justiça brasileira por meio de Red Notice da Interpol por associação criminosa e extorsão. Ele já foi condenado em primeira instância a 9 anos e 7 meses de prisão por extorsão agravada e responde a dezenas de processos criminais, principalmente em São Paulo e Santa Catarina.
O que torna o caso diferente
O que mais chama atenção não é prisão de um brasileiro foragido ou os crimes cometidos nos EUA. O DHS classifica Felipe “Don” explicitamente como ex-comandante do PCC e do CV — organizações agora tratadas oficialmente como grupos terroristas estrangeiros, na mesma categoria de Hezbollah, Hamas, Al-Qaeda e ISIS.
Essa designação abre caminho para que ele seja processado nos Estados Unidos pelo crime de material support to a designated Foreign Terrorist Organization (18 U.S.C. § 2339B), que pode resultar em até 20 anos ou mais de prisão. Mesmo sem essa acusação formal ainda, a associação já é um forte agravante em qualquer sentença, na concessão de fiança e no processo de extradição.
Possibilidade de uso político
Em um momento de relações diplomáticas tensas entre Brasil e Estados Unidos, o caso ganha contornos simbólicos. O governo Lula resiste à classificação do PCC e CV como organizações terroristas, enquanto a população brasileira, segundo pesquisas, apoia majoritariamente esse enquadramento. Analistas não descartam que Felipe “Don” possa ser usado como bode expiatório ou como mensagem forte tanto para as facções criminosas no Brasil quanto para o próprio governo brasileiro.
Criminosos brasileiros se refugiam nos EUA há décadas, mas a cooperação entre as polícias dos dois países — reforçada pela Interpol e pelo HSI — tem crescido. A novidade agora é o novo status jurídico das facções.
Se as investigações do HSI encontrarem evidências de que ele mantinha contatos ou comandava ações das facções enquanto estava nos EUA, a acusação de terrorismo se torna concreta. Nesse caso, ele poderia ser enviado para prisões federais de alta ou supermáxima segurança, com regime muito mais duro do que o aplicado a criminosos comuns.
Mesmo que seja extraditado para o Brasil, o rótulo de “terrorista” adquirido nos EUA certamente agravará sua situação jurídica no retorno.
Nota final: Esta reportagem baseia-se no comunicado oficial do DHS de 15 de junho de 2026 e em fatos já confirmados. A possibilidade de enquadramento como terrorismo depende das provas que surgirem nas próximas semanas.


