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Miami, 22 de junho de 2026 – As autoridades federais de imigração transferiram todos os migrantes detidos no centro Alligator Alcatraz, localizado nos Everglades, na Flórida, como medida preventiva diante do início da temporada de furacões. A operação ocorre em meio a crescentes indícios de que a polêmica instalação, criada pelo governo Trump, pode ser desativada em definitivo nas próximas semanas.
Em comunicado oficial enviado à CNN, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) confirmou que o traslado foi realizado em conjunto com o governo da Flórida. “Ao entrar na temporada de furacões, ICE e o estado de Flórida transferiram os imigrantes indocumentados da instalação temporária por segurança dos detidos”, informou a agência.
Até o momento, nem o ICE nem o Departamento de Segurança Nacional (DHS) revelaram para quais centros os migrantes foram enviados.
O governador Ron DeSantis reiterou nesta semana que Alligator Alcatraz “nunca esteve destinado a ser permanente” e que cumpriu o objetivo para o qual foi criado. Fontes próximas às operações afirmaram à CNN e ao The New York Times que o estado já planejava o fechamento gradual durante o verão, com orientações aos contratistas para iniciar o desmantelamento a partir de junho.
Em maio, o DHS negou existir qualquer ordem federal para encerrar o centro, mas admitiu avaliar continuamente as necessidades operacionais. “Flórida segue sendo um parceiro valioso na agenda migratória do presidente Trump”, destacou a agência.
Inaugurado no verão passado sobre a pista do antigo Aeroporto Dade-Collier, em área remota dos Everglades, o centro foi montado em tempo recorde para ampliar a capacidade de detenção. Em abril, abrigava cerca de 1.400 migrantes, segundo dados do ICE.
Denúncias de condições precárias e impactos ambientais
Desde sua abertura, Alligator Alcatraz esteve cercado de controvérsias. Organizações de direitos humanos, grupos ambientalistas e tribos indígenas denunciaram o impacto sobre o ecossistema dos Everglades e sobre territórios tradicionais. Migrantes relataram condições descritas como “um tipo de tortura”, com calor intenso, infestação de insetos e alimentação insuficiente.
Em visita realizada no verão passado, parlamentares democratas, incluindo a deputada Debbie Wasserman Schultz, qualificaram a instalação como “desumana”. “Eles estão amontoados em jaulas, 32 pessoas por módulo, gritando por ajuda e por liberdade”, relatou a congressista.
As autoridades de Flórida e o ICE refutaram as críticas, afirmando que o centro atendia padrões superiores aos de muitas prisões americanas. Recentemente, um juiz federal determinou a ampliação do acesso dos detidos a advogados, com direito a ligações confidenciais e sem supervisão.
Litígios, custos e riscos climáticos pesam sobre o futuro do centro
Além dos riscos associados aos furacões, o centro enfrentou quase um ano de ações judiciais, custos operacionais elevados e críticas constantes. A organização Friends of the Everglades classificou o projeto como “um dos maiores fracassos” na proteção da região. “Nosso governo falhou em proteger os Everglades e em cumprir as leis ambientais básicas”, afirmou em nota.
Caso o fechamento seja confirmado, os detidos serão redistribuídos para outras instalações do DHS e o aeroporto voltará a operar normalmente. Embora o DHS insista que não há decisão final de encerramento, o esvaziamento completo da unidade representa o avanço mais concreto até agora rumo ao possível fim de um dos símbolos mais contestados da política migratória do governo Trump.


