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Não há mais espaço para eufemismos, narrativas românticas ou desculpas ideológicas. O que se desenrola na fronteira de Roraima não é mera “migração econômica”. É o desmoronamento previsível e repetitivo de mais um regime socialista que, como todos os seus antecessores no século XX, termina em ruína econômica, repressão política e fuga em massa da população.
De acordo com a reportagem da BBC Brasil, publicada no G1 nesta segunda-feira (22 de junho de 2026), os cubanos acabam de bater um recorde sombrio: em 2025 superaram os venezuelanos como a nacionalidade que mais pede refúgio no Brasil. Apenas até abril de 2026, foram 13 mil solicitações. A rota escolhida por esses desesperados é cara, degradante e perigosa: voam para Georgetown, na Guiana; seguem de ônibus até a fronteira; atravessam o rio Tacutu em barcos precários guiados por coiotes; e são jogados em carros superlotados que correm até Boa Vista. Preço médio da “liberdade”: mais de US$ 10 mil por pessoa — uma fortuna para quem vive num país onde o salário médio mal chega a US$ 30 por mês.
Enquanto isso, em Havana, o regime castrista segue fiel ao script de sempre: culpa o “bloqueio imperialista”. A mesma ladainha usada por Nicolás Maduro durante a implosão da Venezuela — outrora o país mais rico da América Latina, com as maiores reservas de petróleo do planeta. Hoje, tanto Cuba quanto Venezuela são sinônimos de apagões intermináveis, prateleiras vazias, hospitais sem remédios e jovens que arriscam a vida para escapar.
O psicólogo cubano Evelio Vazques, que fugiu com a esposa e três filhos (dois deles autistas), descreveu sem rodeios: “Mesmo quem recebe remessas do exterior não tem o que comprar. A eletricidade dura duas horas e depois ficam 30, 34 horas sem luz. É um colapso total.” Esse depoimento não é exceção — é a regra num sistema que, após mais de seis décadas de “revolução”, não consegue produzir nem leite, nem ovos, nem energia estável.
O socialismo cubano repete, com precisão quase didática, o mesmo roteiro da Venezuela chavista. Prometeram igualdade e justiça social. Entregaram igualdade na miséria. A nomenklatura partidária vive com privilégios, enquanto o povo enfrenta filas intermináveis para tudo: comida racionada, remédios inexistentes e visto de saída negado. Não é diferente do que ocorreu na União Soviética, na Alemanha Oriental, na Coreia do Norte ou no Camboja de Pol Pot. A história é implacável: onde o Estado controla os meios de produção, suprime a propriedade privada e concentra poder absoluto, o resultado é sempre o mesmo — estagnação, corrupção, autoritarismo e, por fim, êxodo.
O mais irônico é que boa parte desses cubanos nem precisava pagar traficantes de gente. A legislação brasileira permite que qualquer pessoa peça refúgio diretamente na fronteira de Bonfim, sem risco desnecessário. Mas regimes fechados como o cubano cultivam deliberadamente a desinformação. Manter a população ignorante e dependente é ferramenta essencial de controle.
Enquanto Cuba e Venezuela afundam, países que optaram por caminhos opostos — com maior liberdade econômica e respeito às regras do jogo democrático — avançam. O contraste com nações que abraçaram reformas de mercado na América Latina é gritante. O socialismo não falha por falta de “boa vontade” ou por “interferências externas”. Ele falha porque é incompatível com a natureza humana, com os incentivos econômicos e com a realidade da escassez.
O Brasil, apesar de todos os seus problemas crônicos, continua funcionando como farol para quem foge desses “paraísos dos trabalhadores”. O recado que chega de Roraima, carregado nos rostos exaustos desses migrantes, é cristalino: o socialismo não produz prosperidade, nem dignidade, nem futuro. Produz coiotes, balsas precárias, ditadura da miséria, desespero e a humilhação coletiva de ver um povo inteiro trocando o cárcere ideológico pela incerteza de recomeçar do zero em terra alheia.
A história não perdoa experimentos que ignoram lições centenárias. E os fatos, mais uma vez, não deixam margem para dúvida ou para novas ilusões.
Baseado na Reportagem da BBC Brasil / G1, 22 de junho de 2026; dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e relatos da Polícia Rodoviária Federal em Roraima.


