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Washington, 23 de junho de 2026 — Uma juíza federal decidiu nesta segunda-feira que a versão atualizada do Sistema de Verificação Sistemática de Alienos para Benefícios (SAVE, na sigla em inglês) não pode mais ser utilizada. A ferramenta, central nos esforços da administração Trump para combater o voto de não-cidadãos, foi considerada uma violação às leis de privacidade ao centralizar dados sensíveis de americanos.
A juíza Sparkle L. Sooknanan, do Tribunal Distrital dos EUA, acolheu os argumentos de grupos de defesa, entre eles a Liga das Mulheres Eleitoras (League of Women Voters) e o Electronic Privacy Information Center. Segundo a magistrada, as melhorias implementadas no programa agregaram informações pessoais de forma indevida, criando risco de exclusão errônea de eleitores legítimos dos cadastros eleitorais.
> “No geral, o governo federal pisoteou conscientemente os direitos de privacidade dos cidadãos americanos de maneira que ameaça o sagrado direito ao voto”, escreveu a juíza na decisão. “Este Tribunal não pode ficar de braços cruzados enquanto isso acontece.”
A juíza destacou que o Congresso proibiu expressamente a centralização de dados pessoais identificáveis de americanos e que as agências federais sabiam que o banco de dados violava essas proteções legais.
Revés para a agenda eleitoral de Trump
O SAVE reformado era um dos pilares do segundo decreto executivo assinado por Donald Trump neste ano, que busca incentivar uma “limpeza” nacional dos cadastros eleitorais. A decisão judicial representa um duro golpe para a estratégia do presidente republicano de usar agências federais para fiscalizar a presença de não-cidadãos nas listas de votantes.
O programa foi criado originalmente para impedir que não-cidadãos recebessem benefícios governamentais. A partir de abril de 2025, após expansão promovida pela administração Trump, pelo menos 25 estados passaram a usá-lo para verificar cadastros eleitorais. Desde então, mais de 67 milhões de registros foram analisados.
Especialistas e críticos alertam que o sistema, ao combinar dados de múltiplas fontes (incluindo informações de cidadania consideradas pouco confiáveis), tem gerado falsos positivos.
Casos de cidadãos americanos prejudicados
Um dos exemplos citados é o de Anthony Nel, natural da África do Sul que se tornou cidadão americano há mais de uma década. Seu registro eleitoral em Denton, Texas, foi temporariamente cancelado após o estado rodar sua ficha no SAVE. O sistema o identificou erroneamente como possível não-cidadão.
> “Espero que outras pessoas vejam essa luta e não deem seu direito de voto como garantido”, disse Nel em mensagem de texto.
Os advogados dos demandantes argumentaram que cidadãos naturalizados são especialmente vulneráveis a erros no banco de dados.
Durante a campanha de 2024, Trump e republicanos pressionaram por melhorias no SAVE. A limitação anterior — verificação individual — foi superada com apoio do Departamento de Segurança Interna (DHS), do Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) e do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk.
As atualizações tornaram o sistema gratuito para autoridades eleitorais, permitiram buscas em massa e aceitaram consultas por nome, data de nascimento e número do Seguro Social. Apesar de secretários de estado republicanos terem elogiado a ferramenta como mais eficiente, a juíza concluiu que os estados que a utilizaram “estão removendo ativamente cidadãos americanos de cadastros eleitorais com base em informações imprecisas”.
James Percival, conselheiro-geral do Departamento de Segurança Interna, reagiu no X (antigo Twitter):
> “É impressionante como a esquerda luta tanto para impedir que resolvamos problemas que eles insistem que não existem.”
A votação por não-cidadãos já é ilegal e punível com deportação.


