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WASHINGTON — Autoridades federais de imigração dos Estados Unidos detiveram mais de 10 mil pessoas nos últimos cinco dias, em uma escalada sem precedentes recente impulsionada por uma ordem interna do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) para elevar rapidamente o ritmo de prisões. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times, com base em documentos internos e entrevistas com funcionários federais.
De acordo com a reportagem, líderes da agência instruíram altos funcionários a concentrar esforços dos agentes na captura de imigrantes com ordens de deportação. As detenções ocorreram durante apresentações obrigatórias às autoridades migratórias, em abordagens de trânsito e em operações nas ruas. O resultado foi quase o dobro da média registrada no início de 2026, quando o ICE prendia cerca de mil pessoas por dia. Recentemente, o número diário se aproximou de 2 mil detenções — meta que, segundo fontes internas, passou a ser o novo padrão determinado pela Casa Branca.
A população em detenção sob custódia do ICE aumentou em quase 4 mil pessoas nesse período, superando 63 mil detidos em todo o país. Diferentemente das operações de grande visibilidade realizadas no ano passado — como a ação em Minnesota, que resultou na morte de dois cidadãos americanos —, a atual onda tem ocorrido de forma mais discreta, sem anúncios prévios de grandes mobilizações urbanas.
A iniciativa reflete a determinação da administração Trump de cumprir promessas de deportações em massa. “Nossa mensagem é clara: se você vier ao nosso país ilegalmente, nós vamos encontrá-lo, prendê-lo e deportá-lo”, afirmou Lauren Bis, porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), em comunicado. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, tem defendido uma abordagem mais silenciosa após os problemas enfrentados em operações anteriores.
Especialistas e críticos apontam que o ritmo acelerado pode gerar desafios operacionais e aumentar tensões em comunidades imigrantes, embora o governo insista que o foco permanece em pessoas com histórico criminal ou ordens pendentes de remoção. O New York Times observa que não está claro por quanto tempo será possível manter esse volume diário de detenções.


