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AUSTIN (Texas) – 8 de julho de 2026
O governador do Texas, Greg Abbott, determinou na terça-feira (7) que a Comissão de Saúde e Serviços Humanos do Estado (HHSC) abra investigação imediata contra o Mission Regional Medical Center, em Mission, cidade do Vale do Rio Grande, na fronteira com o México. O hospital é acusado de veicular propaganda direcionada a gestantes estrangeiras, oferecendo “pacotes de nascimento” com o objetivo de atrair clientes que buscam a cidadania americana para os filhos pelo direito de solo.
Em carta oficial enviada à comissária executiva da HHSC, Stephanie Muth, Abbott classificou a prática como ilegal e acusou o hospital – instituição regulada pelo órgão estadual – de explorar “a extraordinária hospitalidade” oferecida pelos Estados Unidos e pelo Texas a milhões de viajantes estrangeiros. “Milhares de viajantes vêm ao país sob falsos pretextos para dar à luz e garantir a cidadania para seus filhos”, escreveu o governador republicano.
A campanha publicitária, segundo relatos confirmados por veículos como a Fox News, incluía outdoors em espanhol instalados próximo à fronteira, com preços a partir de US$ 3.950 para parto natural e US$ 5.525 para cesariana. Os anúncios remetiam ao site havemybabyinTEXAS.com, que foi retirado do ar após a repercussão. A ação teria sido identificada em postagens nas redes sociais na semana anterior.
O caso ganha relevância política poucos dias após a Suprema Corte dos Estados Unidos, em 30 de junho, reafirmar a cidadania por direito de nascimento, prevista na 14ª Emenda da Constituição, derrubando tentativa da administração Trump de restringir o benefício em certos casos. A decisão reacendeu o debate sobre o “birth tourism”, fenômeno considerado raro por especialistas – estimado em menos de 1% dos mais de 3,5 milhões de nascimentos anuais no país –, mas que desperta forte rejeição entre setores conservadores.
Abbott, em tom enfático, afirmou que “a cidadania americana não está à venda” e prometeu trabalhar com o Legislativo estadual para endurecer as normas contra o turismo de nascimento. A HHSC foi orientada não apenas a apurar eventuais violações contratuais e legais, mas também a encaminhar indícios para o procurador-geral (ação civil) e promotores locais (ação criminal), além de aplicar sanções administrativas.
Em nota, o Mission Regional Medical Center – hospital público sem fins lucrativos – negou qualquer apoio a atividades ilegais. “Não apoiamos nem facilitamos qualquer atividade ilegal e estamos comprometidos em cumprir todas as leis federais e estaduais aplicáveis”, disse o porta-voz. A instituição informou que os materiais de marketing sobre serviços de maternidade foram suspensos “devido a qualquer mal-entendido não intencional” e garantiu cooperação plena com as autoridades, mantendo o foco no atendimento de qualidade a todos os pacientes.
A iniciativa de Abbott reforça a linha dura do Texas em temas de imigração e fronteira, um dos principais eixos de sua administração. O estado, que já adotou medidas rigorosas de segurança na divisa com o México, vê no episódio mais um exemplo de suposta exploração do sistema de saúde e das leis de cidadania americanas.
A investigação está em fase inicial e seus resultados ainda não foram divulgados. O caso deve alimentar o debate nacional sobre imigração legal, direitos constitucionais e o equilíbrio entre hospitalidade e soberania migratória nos Estados Unidos.
Americans are getting blatantly ripped off, and it’s happening right in front of our faces.
In the United States, the average cost to give birth is over $20,000. Even if you have insurance, you’re still slammed with thousands in bills. Families are going into debt just to bring… pic.twitter.com/kSRWgF3erR
— Mayra Flores (@MayraFlores4TX) April 18, 2026


