JUNOT
Recife, 29 de Julho de 2026 – Em janeiro, o presidente Donald Trump autorizou a prisão do ditador venezuelano. Trouxe-o para os Estados Unidos para responder a acusações de narco-terrorismo. A reação imediata, especialmente entre democratas no Congresso, foi previsível. Adam Smith falou em “sempre termina mal”. Jim Himes comparou a euforia ao Afeganistão de 2002, ao Iraque de 2003 e à Líbia de 2011. O raciocínio era o de sempre: intervenção americana no exterior só gera desastre.
Seis meses depois, os números contam outra história.
Pelo menos 670 presos políticos foram libertados. Partidos de oposição voltaram às ruas. Exilados começaram a retornar. Canais de televisão abertos passaram a cobrir a oposição — algo que não acontecia havia anos. A repressão não desapareceu, mas diminuiu de forma mensurável.
A economia, devastada por décadas de chavismo, deu os primeiros sinais de movimento. A produção de petróleo, que estava em cerca de 800 mil barris por dia em janeiro, chegou a 1,1 milhão em junho. As receitas de exportação no primeiro trimestre de 2026 subiram 21% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 5,5 bilhões de dólares. Uma nova lei de hidrocarbonetos abriu o setor à iniciativa privada, limitou royalties e tirou o monopólio da PDVSA. Empresas como Shell e SLB voltaram. Investidores americanos e internacionais começaram a se reaproximar.
E então veio o teste que ninguém planejou: os terremotos de 24 de junho. Dois abalos — magnitudes 7,2 e 7,5 — em menos de um minuto. Cinco mil mortos confirmados, mais de 18 mil desaparecidos, quase 70 mil edifícios danificados. O custo da reconstrução é estimado entre 12 e 20 bilhões de dólares.
Foi exatamente o momento em que, segundo a lógica dos críticos, tudo deveria desmoronar. Não desmoronou.
Os Estados Unidos lideraram a resposta humanitária. Mais de 386 milhões de dólares em ajuda. Quase dois mil militares americanos no terreno. Controle do aeroporto de Maiquetía. Distribuição diária de suprimentos. Enquanto isso, a China enviou 14,7 milhões e a Itália, 10,8 milhões. A diferença é gritante.
Pesquisas feitas antes dos terremotos já mostravam confiança nos Estados Unidos em 70% e em Trump pessoalmente em 68%. Depois do desastre, segundo analistas no terreno, essa confiança só aumentou. A esperança, que estava em 51% em dezembro, saltou para 81% em fevereiro e se mantém em 65% — ainda 15 pontos acima da média de 2025.
Nada disso transforma a Venezuela em paraíso. A dívida pública está estimada em 240 bilhões de dólares. A economia encolheu para cerca de 100 bilhões — um colapso brutal em relação aos 370 bilhões de 2012. Há muito a reconstruir. Há riscos. Há incertezas.
Mas o fato concreto é este: a intervenção que deveria gerar o caos clássico das aventuras americanas no exterior não gerou. Gerou, até aqui, menos repressão, mais espaço político, retorno de investimentos e uma resposta internacional liderada pelos Estados Unidos a uma catástrofe natural.
Seis meses não são o fim da história. São, porém, tempo suficiente para dizer que as previsões apocalípticas não se confirmaram. E que, neste caso específico, a aposta de Trump — até o momento — se mostrou mais realista do que o alarmismo de seus críticos.


