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A confirmação dos primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental em São Paulo ampliou para quatro o número de registros confirmados da doença no Brasil em 2026. Dois casos foram identificados no Estado paulista e outros dois em Santa Catarina, onde uma mulher de 77 anos morreu. Há ainda um caso provável sob investigação no Piauí.
Em São Paulo, os diagnósticos envolvem uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que se recuperou após ter relatado viagem recente à região amazônica, e uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada. Os locais prováveis de infecção ainda são investigados pelas autoridades sanitárias. Os exames foram confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz.
Em Santa Catarina, os dois registros também apresentaram manifestações neurológicas. A paciente de Imbituba, de 77 anos, morreu, enquanto um homem de 56 anos, residente em Caçador, foi internado e posteriormente recebeu alta. A investigação epidemiológica busca esclarecer as circunstâncias e possíveis locais de transmissão.
Como o vírus chega ao ser humano
A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção provocada por um vírus transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex. O ciclo natural envolve aves silvestres, que funcionam como hospedeiros amplificadores. Os mosquitos se infectam ao picá-las e podem posteriormente transmitir o vírus a pessoas e outros mamíferos.
Humanos e cavalos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, o que significa que, em condições naturais, não mantêm o ciclo de transmissão. A transmissão direta entre pessoas não constitui a via habitual da doença. Existem, contudo, formas raras de transmissão associadas a transfusões, transplantes, gestação e aleitamento.
Embora a maioria das infecções não produza sintomas, cerca de 20% dos infectados desenvolvem manifestações clínicas. Os quadros geralmente incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e mal-estar.
A principal preocupação está nas formas neurológicas, que são muito menos frequentes, mas podem provocar meningite, encefalite e paralisia flácida. Pessoas mais velhas apresentam maior risco de desenvolver complicações graves.
Não há vacina nem antiviral específico
Atualmente, não existe vacina para uso humano nem tratamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é de suporte, com hidratação, controle dos sintomas e, nos casos graves, atendimento hospitalar e cuidados intensivos.
Por isso, a prevenção depende principalmente da redução da exposição aos mosquitos. O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes, telas em portas e janelas e medidas para evitar água parada. A orientação é especialmente relevante em áreas rurais e silvestres, onde o ciclo envolvendo aves e mosquitos encontra condições mais favoráveis.
A confirmação dos casos em São Paulo e Santa Catarina não significa, por si só, que o vírus esteja circulando de maneira ampla entre a população. O desafio das autoridades agora é determinar onde ocorreram as infecções e identificar possíveis áreas de transmissão, enquanto a vigilância epidemiológica acompanha novos casos suspeitos.
O cenário reforça uma característica importante da doença no Brasil: a Febre do Nilo Ocidental não é uma infecção de transmissão humana contínua, mas sua presença exige vigilância porque, em uma parcela pequena dos infectados, pode produzir consequências neurológicas graves e até fatais.


