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Mais de 300 trabalhadores sul-coreanos detidos em setembro de 2025 durante uma operação migratória em uma fábrica da Hyundai, na Geórgia, começaram a apresentar reclamações administrativas contra o governo dos Estados Unidos. O procedimento é necessário antes de uma eventual ação judicial federal.
As reclamações foram encaminhadas a nove órgãos federais, entre eles o Departamento de Segurança Interna (DHS), o Immigration and Customs Enforcement (ICE), a Customs and Border Protection (CBP), o FBI e os Departamentos de Justiça e Trabalho. A primeira reclamação individual já foi enviada, e os representantes dos trabalhadores pretendem concluir os demais processos até o fim de 2026.
A operação ocorreu em 4 de setembro de 2025, em Ellabell, a cerca de 40 quilômetros de Savannah. Segundo as autoridades, aproximadamente 500 agentes federais, estaduais e locais participaram da ação, que resultou na detenção de 475 pessoas, a maioria sul-coreanos. Na ocasião, a HSI classificou a operação como a maior realizada em um único local em sua história.
Os trabalhadores alegam que foram detidos sem explicações adequadas, em alguns casos sem intérpretes de coreano, e obrigados a assinar documentos que não compreendiam. Também relatam condições precárias durante a permanência em um centro de detenção em Folkston, onde parte deles teria sido mantida inicialmente em instalações superlotadas. Essas alegações constam das reclamações apresentadas ao governo.
Uma ordem judicial de busca obtida pela CNN identificava quatro pessoas como alvos da investigação, nenhuma delas entre os trabalhadores sul-coreanos. O DHS, porém, informou que o ICE executou uma ordem judicial de busca relacionada a uma investigação criminal sobre suspeitas de práticas trabalhistas ilegais e outros crimes federais. A CBP afirmou que os detidos trabalhavam ilegalmente, em desacordo com os termos de seus vistos ou status migratório.
O caso envolve também a utilização de vistos de negócios. Alguns trabalhadores afirmam que estavam nos Estados Unidos com vistos válidos, inclusive B-1, usados para atividades de treinamento e instalação de equipamentos. A CBP esclareceu que a posse de um visto ou de autorização ESTA não garante a admissão no país e que cada entrada é analisada individualmente.
As reclamações são apresentadas com base na Federal Tort Claims Act (FTCA), legislação que permite, em determinadas circunstâncias, buscar indenização por danos causados por agentes federais. Os trabalhadores reivindicam compensação por bens apreendidos, perda de trabalho e alegados danos psicológicos. Cada pessoa precisa apresentar sua própria reclamação administrativa.
Se o governo não responder às reclamações dentro do prazo previsto pela FTCA, os trabalhadores poderão recorrer à Justiça federal. O processo, contudo, poderá enfrentar exceções previstas na própria legislação para determinadas ações praticadas por funcionários federais no exercício de funções discricionárias.
A operação interrompeu temporariamente a construção da fábrica de baterias da Hyundai e da LG. As obras foram posteriormente retomadas, e a unidade iniciou a produção comercial em abril. A empresa informou que atualmente emprega mais de 500 pessoas no local, a maioria contratada nos Estados Unidos.
Desde a operação, alguns dos trabalhadores detidos voltaram aos Estados Unidos para atuar em projetos semelhantes, inclusive utilizando vistos de negócios. Empresas do setor afirmam que especialistas estrangeiros são necessários temporariamente para instalar equipamentos e treinar equipes locais, mas ressaltam que os trabalhadores devem cumprir as leis migratórias e trabalhistas americanas.


