JSNEWS
Apesar de os juízes de imigração dos Estados Unidos estarem concluindo um número recorde de processos e determinando a remoção de uma parcela cada vez maior dos imigrantes que passam pelos tribunais, o tempo médio de espera até uma decisão continua aumentando.
Os dados são do Transaction Records Access Clearinghouse (TRAC), centro de pesquisa da Universidade de Syracuse que acompanha estatísticas dos tribunais de imigração americanos. Em relatório publicado em 11 de setembro de 2026, a organização mostra que os processos estão sendo encerrados em ritmo elevado, mas a longa espera acumulada na Justiça de imigração continua pressionando o sistema.
Em julho de 2026, os tribunais concluíram 104.028 processos de imigração, segundo o TRAC. Foi o segundo mês consecutivo acima de 100 mil casos e um novo recorde mensal. Em junho, o número havia ultrapassado pela primeira vez essa marca.
Ao mesmo tempo, 78,6% das pessoas cujos processos foram concluídos em julho receberam uma ordem de remoção. A proporção era de aproximadamente dois terços seis meses antes.
O aumento das ordens de remoção, porém, não significa que todas essas pessoas tenham sido efetivamente retiradas dos Estados Unidos. A decisão do juiz é uma etapa do processo; a execução da remoção depende posteriormente das autoridades de imigração.
Quase dois anos e meio de espera
O dado que mais chama atenção é o tempo transcorrido entre a abertura formal do processo e sua conclusão.
Em julho, os imigrantes que receberam ordem de remoção haviam esperado, em média, 901 dias — aproximadamente dois anos e cinco meses — desde a emissão do documento conhecido como Notice to Appear (NTA) até a decisão judicial.
O NTA é a notificação formal pela qual o governo inicia um processo de imigração perante um tribunal, informando ao estrangeiro que ele deverá comparecer à Justiça para responder às alegações apresentadas pelas autoridades.
O tempo médio de 901 dias representa um aumento de 51% em relação a julho de 2024, quando a média era de 597 dias, segundo o TRAC. Ou seja, mesmo com o aumento expressivo do número de processos encerrados, os casos que chegam ao fim hoje carregam, em média, um período de espera muito maior.
Massachusetts entre os Estados com maior demora
A situação varia consideravelmente entre os tribunais de imigração de cada Estado.
Em Massachusetts, o tempo médio para que um juiz determinasse a remoção chegou a 1.007 dias em julho de 2026, pouco menos de dois anos e nove meses. Em julho de 2024, a média era de 759 dias. O aumento acumulado foi de 33%.
O Estado com a maior média foi Indiana, com 1.076 dias. Na sequência apareceram Carolina do Norte, com 1.047 dias; Flórida, com 1.031; Connecticut, com 1.026; e Massachusetts, com 1.007 dias.
Na outra extremidade estava o Novo México, com média de 308 dias. Nevada, com 470 dias, e Arizona, com 681 dias, também apresentaram tempos inferiores à média nacional.
O levantamento mostra que a demora não se distribui de maneira uniforme. Em alguns Estados, o tempo médio caiu em relação a 2024. Indiana, por exemplo, passou de 1.291 para 1.076 dias. Missouri caiu de 1.190 para 888 dias, enquanto Nebraska passou de 1.290 para 995 dias.
Na maioria dos Estados, contudo, o tempo de tramitação aumentou.
O paradoxo do aumento de produtividade
O aparente paradoxo — mais processos concluídos e, ainda assim, maior tempo de espera — tem relação com o tamanho do estoque de processos acumulados nos tribunais.
O TRAC chama esse estoque de backlog, termo comum na administração pública americana que pode ser traduzido, neste contexto, como acervo de processos pendentes ou estoque de casos acumulados.
Embora o número total de processos pendentes tenha começado a diminuir, a idade média desses processos continua aumentando.
Em julho de 2024, os processos que permaneciam pendentes nos tribunais de imigração aguardavam, em média, 571 dias. Dois anos depois, em julho de 2026, a média havia chegado a 940 dias, uma alta de 71%.
Isso significa que o sistema pode estar encerrando mais processos sem necessariamente reduzir, na mesma proporção, o tempo que os casos permanecentes aguardam por uma decisão.
Segundo o TRAC, a própria composição do acervo influencia os números. Um tribunal que recebe e conclui rapidamente processos mais recentes pode continuar apresentando uma média elevada se uma grande quantidade de casos antigos permanecer pendente.
Mais de 3 milhões de processos pendentes
O problema ganha dimensão quando considerado o tamanho do acervo. De acordo com o levantamento, os tribunais de imigração ainda tinham mais de 3 milhões de processos pendentes.
Para o TRAC, esse volume ajuda a explicar por que o tempo médio de tramitação deve continuar elevado mesmo diante do aumento da produtividade dos juízes.
Há, portanto, duas medidas diferentes acontecendo simultaneamente: o sistema está decidindo mais casos por mês, mas os processos que permanecem na fila são, em média, cada vez mais antigos.
A estatística também ajuda a colocar em perspectiva os números recordes de remoções determinadas pelos tribunais durante o governo Donald Trump. O aumento das decisões não eliminou o congestionamento acumulado durante anos.
O resultado é um sistema em que a Justiça de imigração consegue acelerar o número de decisões, mas ainda enfrenta dificuldade para reduzir substancialmente o tempo que um imigrante pode permanecer à espera de uma definição judicial.
Fonte: Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), Universidade de Syracuse, relatório “Rising Completion Times in Immigration Court Despite Record Deportations”, publicado em 11 de setembro de 2026.


