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AUSTIN — Um venezuelano baleado por um agente federal de imigração em Austin, no Texas, compareceu nesta terça-feira, 29, a um tribunal federal. Wilber Rafael Garces Perez, 28 anos, foi denunciado por agredir, resistir, interferir e obstruir um oficial dos Estados Unidos, informou o Departamento de Justiça.
O tiroteio ocorreu em 20 de setembro, numa abordagem da ICE. A versão do governo e a do ferido não coincidem no ponto decisivo: quem provocou o disparo.
O que diz a denúncia
A queixa, protocolada na segunda-feira no Tribunal Distrital do Oeste do Texas, cita imagens da câmera corporal de um dos agentes que interceptaram o carro.
Segundo essa narrativa, os oficiais pediram que Garces Perez saísse do veículo. Ele teria acelerado e atingido um agente no tronco com o retrovisor. Esse oficial — que não usava câmera — perseguiu o venezuelano de carro, alcançou-o e, de acordo com o próprio agente, Garces Perez tentou atropelá-lo. O oficial então disparou a pistola.
O vídeo da câmera corporal não foi divulgado. Filmagens já públicas não mostram o momento do tiro; mostram Garces Perez ferido, ainda no carro, depois do confronto.
O que diz o ferido
Na investigação interna do Departamento de Segurança Interna (DHS), Garces Perez afirmou ter sido baleado depois que um SUV oficial bateu no seu carro e o fez girar.
A advogada Kate Lincoln-Goldfinch escreveu no Instagram no domingo que o cliente ainda está com a bala no corpo, com a clavícula fraturada, e que apoiadores temem sepse e sequela permanente se a cirurgia atrasar. O DHS respondeu que ele recebe atendimento adequado.
Dois processos no mesmo calendário
Nesta quarta-feira, 30, Garces Perez deve comparecer a um juiz de imigração no Texas para decidir se pode permanecer no país. Ou seja: ao mesmo tempo em que responde criminalmente pela abordagem, enfrenta o rito de expulsão.
O caso se insere na ofensiva do governo Trump contra quem, segundo Washington, ataca ou atrapalha agentes federais. A Casa Branca já denunciou pelo menos 851 pessoas nessa linha. Um levantamento da Reuters em julho, porém, mostrou que 31% dos processos já encerrados nessa categoria foram arquivados — ante 8% de arquivamento no conjunto dos casos criminais federais.
A disparidade alimenta a leitura de que parte dessas acusações não se sustenta quando chega ao mérito. No processo de Austin, o que falta é o vídeo do disparo. Sem ele, o tribunal terá de pesar a câmera de um agente, o relato do outro — desarmado de imagem — e a versão do homem que ainda carrega a bala.


