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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas, e se encontrou com o irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida. A viagem ocorreu dois dias depois de sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial brasileira e após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do país.
O episódio abriu uma nova frente de tensão política entre Brasília e Washington. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que aprovaria um eventual pedido de asilo de Flávio, enquanto parlamentares democratas questionaram a decisão de seu governo de facilitar a entrada do senador e de seus familiares nos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, Flávio desembarcou na região de Fort Lauderdale, na Flórida, e se reuniu com Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. A chegada foi noticiada por veículos como SBT News, CNN Brasil e Metrópoles.
Trump sinaliza apoio ao asilo

Questionado sobre a possibilidade de conceder asilo político ao senador, Trump respondeu que aprovaria o pedido. “Acho que são pessoas decentes”, declarou, segundo relatos publicados nesta quarta-feira (28). O presidente também voltou a criticar a maneira como o processo eleitoral brasileiro transcorreu, embora tenha afirmado não saber, naquele momento, onde Flávio estava.
A manifestação representa um sinal político favorável ao senador, mas não equivale à concessão formal de asilo. O Departamento de Estado confirmou que os Estados Unidos emitirão vistos para Flávio e seus familiares, sem divulgar publicamente a categoria dos documentos.
A diferença é relevante: a autorização de entrada no território americano não significa que um pedido de proteção política tenha sido apresentado ou aprovado.
Até a manhã desta quarta-feira, aliados informavam que Flávio preparava um pronunciamento à imprensa, possivelmente em Washington. A realização da viagem à capital americana e a divulgação de uma declaração oficial do senador ainda precisavam ser confirmadas. Não havia, portanto, confirmação pública de que ele já tivesse formalizado o pedido de asilo.
Decisão de Moraes e argumento de perseguição
A saída do Brasil ocorreu depois que Moraes determinou, no domingo (25), medidas para impedir que Flávio deixasse o território nacional. A decisão está relacionada a investigações que apuram suspeitas de irregularidades financeiras. O senador nega ter cometido ilícitos.
Na segunda-feira (26), Flávio afirmou publicamente que não pretendia deixar o Brasil e que entregaria seus passaportes para contestar judicialmente a medida. No dia seguinte, porém, já estava a caminho dos Estados Unidos. Como não cumpriu a determinação no prazo estabelecido, seus documentos foram cancelados.
A rapidez da sequência dos acontecimentos tornou-se um dos principais argumentos de aliados que acusam o ministro de agir com motivação política. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, questionou a proximidade temporal entre o resultado eleitoral e as providências judiciais, levantando dúvidas sobre a motivação das medidas.
A defesa política do senador também se apoia no histórico de confrontos entre integrantes da família Bolsonaro e ministros do STF, especialmente Moraes. Para seus apoiadores, a combinação de decisões judiciais restritivas, investigações e disputas políticas justifica a busca de proteção no exterior.
Essa interpretação, entretanto, ainda precisa ser examinada à luz dos fundamentos jurídicos das investigações e de eventuais provas de perseguição. A existência de um conflito político com um magistrado, isoladamente, não comprova perseguição judicial mas não da para afirmar que tal perseguição não exista.
Democratas questionam a decisão de Trump
A reação democrata foi imediata. O deputado Joaquin Castro, do Texas, criticou a possibilidade de o governo americano oferecer proteção a Flávio. Em manifestação divulgada na terça-feira, argumentou que perder uma eleição não constitui, por si só, motivo para receber asilo político. Tal afirmação simplifica a situação e revela o desconhecimento dos fatos anteriores.
Castro também mencionou as investigações brasileiras, que são seletivas, envolvendo suspeitas de corrupção. O parlamentar cobrou explicações de Trump sobre o possível envolvimento de seu governo na saída do senador do Brasil.
A crítica se soma à manifestação de um comitê democrata que questionou a concessão de vistos ao senador e a seus familiares. A iniciativa indica que o caso poderá ganhar repercussão no Congresso americano, sobretudo se houver um pedido formal de asilo e se surgirem informações sobre eventual participação de autoridades dos Estados Unidos na organização da viagem.
É importante, contudo, distinguir as posições individuais de parlamentares e comitês partidários de uma decisão coletiva de todo o Partido Democrata. Até o momento, as manifestações identificadas não permitem afirmar que os democratas, como grupo, defendam a deportação de Flávio. O questionamento público se concentra na concessão de vistos, na eventual proteção política e na justificativa jurídica para o asilo.
Republicanos oferecem uma recepção política diferente
No campo republicano, Trump adotou uma posição favorável à entrada do senador nos Estados Unidos e declarou que aprovaria um eventual pedido de asilo. O presidente americano já havia recebido Flávio na Casa Branca e demonstrado proximidade política com a família Bolsonaro.
A manifestação de Trump é, até aqui, o sinal mais claro de apoio republicano ao senador. Ela contrasta com a reação de parlamentares democratas e reforça a dimensão política internacional do episódio.
Ainda assim, não há elementos suficientes para afirmar que todos os republicanos apoiam a concessão de asilo ou que o Congresso americano tenha adotado uma posição institucional sobre o caso. A decisão administrativa sobre o pedido, se formalizado, dependerá dos procedimentos e dos requisitos legais aplicáveis.
Uma disputa que ultrapassa as fronteiras brasileiras
A chegada de Flávio aos Estados Unidos também coloca em evidência a relação entre Trump e o governo Lula. A decisão americana de conceder vistos, acompanhada da disposição do presidente de aceitar um eventual pedido de asilo, poderá aumentar a tensão diplomática entre os dois países.
Para os aliados do senador, a viagem representa uma oportunidade de buscar proteção diante de decisões judiciais que consideram politicamente motivadas. Para seus críticos, a saída após uma derrota eleitoral e o descumprimento de uma ordem judicial levantam dúvidas sobre a intenção de evitar o avanço das investigações.
O ponto central, agora, é saber se Flávio formalizará o pedido de asilo, quais fundamentos apresentará e se o governo americano considerará que há elementos suficientes para concedê-lo.
Mais do que uma mudança de endereço, o episódio transformou a disputa entre a família Bolsonaro e o STF em uma questão com repercussão direta nas relações entre Brasil e Estados Unidos.


