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A infestação de ratos em Boston, Massachusetts, tem provocado prejuízos financeiros, reclamações de moradores e cobranças por uma resposta mais coordenada do poder público. Além de aparecerem nas ruas e no lixo exposto, os roedores têm invadido residências e danificado a fiação elétrica de automóveis, com reparos que podem custar milhares de dólares.
Durante uma audiência do Comitê de Serviços Municipais do Conselho Municipal, em 23 de outubro, autoridades informaram que a cidade havia recebido 6.018 reclamações relacionadas a roedores desde o início do ano. No mesmo período, foram realizados 750 tratamentos contra infestações e emitidas 785 notificações por irregularidades, segundo dados apresentados pelo Departamento de Serviços de Inspeção.
Na região de Back Bay, a moradora Ali Foley relatou que pelo menos quatro veículos de vizinhos tiveram a fiação danificada pelos animais. Um dos casos exigiu aproximadamente US$ 6 mil em reparos. Ela também alertou que algumas seguradoras não cobrem integralmente esse tipo de prejuízo.
O problema não é novo. Em abril de 2024, emissoras locais já documentavam ocorrências semelhantes em bairros como South End e Allston. Na ocasião, moradores relataram repetidos danos aos veículos, inclusive em automóveis que precisaram passar por reparos mecânicos sucessivos.
Pressão por uma resposta centralizada
Diante da persistência das ocorrências, moradores e integrantes do Conselho Municipal voltaram a defender a criação de um responsável específico pelo combate aos ratos, conhecido nos Estados Unidos como rat czar. A proposta busca concentrar a coordenação de medidas atualmente distribuídas entre diferentes departamentos municipais.
O vereador Ed Flynn, que preside o comitê responsável pela discussão, afirmou que o problema atinge praticamente toda a cidade e representa uma questão de saúde pública, segurança e qualidade de vida. Ele também relatou ter recebido informações sobre ratos entrando em casas e mencionou um episódio recente em que um animal teria saltado para dentro de um carrinho de bebê.
Foley reconheceu que as autoridades têm ouvido as reclamações dos bairros, mas defendeu que a coleta de informações dê lugar a medidas concretas. Para ela, os moradores precisam perceber mudanças efetivas na prevenção e no controle das infestações.
A criação de uma estrutura centralizada, entretanto, ainda não está confirmada. A discussão ocorre em meio a cobranças por maior fiscalização, responsabilização de proprietários de imóveis e mudanças no manejo do lixo.
Lixo exposto favorece a proliferação
Um dos principais pontos levantados pelos moradores é o intervalo entre a colocação dos sacos de lixo nas calçadas e a passagem dos caminhões de coleta. Em algumas áreas, os resíduos permanecem expostos durante a noite, oferecendo alimento aos roedores.
Durante a audiência, participantes defenderam a possibilidade de transferir a colocação do lixo para a manhã da coleta e ampliar o uso de recipientes resistentes à ação dos animais. Também houve sugestões para testar sacos mais espessos e melhorar o armazenamento de resíduos em áreas residenciais e comerciais.
Em setembro, durante uma cúpula nacional sobre ratos urbanos realizada em Boston, especialistas também discutiram medidas de prevenção e controle. A cidade vem utilizando armadilhas em redes de esgoto, sensores e câmeras para monitorar a atividade dos roedores e identificar áreas de maior concentração.
Apesar dessas iniciativas, moradores cobram resultados mais visíveis. A presidente do Conselho Municipal, Liz Breadon, observou que o plano municipal de combate aos roedores foi divulgado em 2024, mas que ainda faltava uma atualização pública abrangente sobre sua implementação.
Risco à saúde pública
Além dos danos materiais, a presença de ratos preocupa autoridades e especialistas por causa das doenças que esses animais podem transmitir. Na audiência de outubro, um morador de South Boston relatou que seu filho havia sido hospitalizado com leptospirose, infecção associada à exposição à bactéria presente na urina de animais infectados.
O relato individual não permite estabelecer, por si só, todas as circunstâncias da infecção, mas reforça a preocupação com a exposição a ambientes contaminados por roedores.
A prevenção depende de medidas coletivas e individuais. A orientação aos moradores é manter o lixo em recipientes bem fechados, evitar deixar restos de alimentos acessíveis e reduzir o tempo em que os sacos permanecem nas calçadas. Problemas com roedores também podem ser comunicados pelo serviço municipal Boston 311.
Enquanto a prefeitura avalia novas medidas, moradores continuam cobrando uma estratégia capaz de integrar fiscalização, coleta de resíduos, controle de infestações e responsabilização de quem mantém condições favoráveis à proliferação dos animais.


