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O aumento do custo dos alimentos tem levado americanos a reduzir o consumo e, em muitos casos, a deixar de fazer refeições para equilibrar o orçamento doméstico. Segundo uma pesquisa realizada em agosto pela empresa de serviços financeiros Self Financial, metade dos entrevistados afirmou ter pulado refeições devido à alta dos preços nos supermercados.
Os dados refletem uma pressão crescente sobre o orçamento das famílias. De acordo com informações federais compiladas pelo Federal Reserve de St. Louis, os preços dos alimentos comprados para consumo doméstico subiram aproximadamente 28% entre setembro de 2020 e setembro de 2026. No mesmo período, a carne bovina moída ficou 67% mais cara, enquanto o café acumulou alta de 108%.
O impacto vai além da capacidade de compra. Na pesquisa da Self Financial, que ouviu cerca de mil pessoas, os entrevistados apontaram que o encarecimento dos alimentos afeta a saúde mental e aumenta os níveis de estresse. Os efeitos relatados foram considerados mais expressivos do que os impactos sobre atividade física, alimentação equilibrada e qualidade do sono.
A dificuldade para pagar despesas essenciais também aparece nos indicadores sobre a situação financeira das famílias. Um levantamento realizado em setembro pelo Goldman Sachs com trabalhadores americanos indicou que pouco mais de 60% das famílias com renda anual de até US$ 50 mil vivem de salário em salário, dependendo dos pagamentos recebidos para cobrir as despesas até o próximo vencimento.
A pressão sobre o orçamento não se limita aos supermercados. Os preços dos combustíveis também pesam sobre as contas domésticas, especialmente para quem depende do automóvel para trabalhar. Segundo o serviço de monitoramento GasBuddy, os preços médios da gasolina atingiram ou ultrapassaram US$ 4 por galão em mais dias de 2026 do que em qualquer outro ano de sua série histórica, conforme o levantamento citado pela imprensa americana.
O encarecimento das despesas cotidianas tornou-se, assim, um dos principais fatores de insatisfação com a economia e com a administração do presidente Donald Trump.
Uma pesquisa nacional divulgada em 21 de outubro pelo The New York Times e pelo Siena Research Institute revelou que 69% dos eleitores desaprovavam a atuação de Trump em relação ao custo de vida. Outros 73% rejeitavam sua condução da política de preços dos combustíveis.
O descontentamento também se reflete na avaliação dos partidos. Segundo Don Levy, diretor-executivo do Siena Research Institute, os eleitores demonstram insatisfação tanto com republicanos quanto com democratas, mas atribuem aos democratas maior capacidade de lidar com questões como economia, custo de vida, combustíveis, saúde, corrupção, conflitos internacionais e inteligência artificial. A vantagem democrata nesses temas variou de oito a 20 pontos percentuais, segundo o levantamento.
Os números representam um desafio para Trump e os republicanos às vésperas das eleições legislativas de novembro. Embora a percepção dos eleitores não determine, por si só, o resultado das urnas, o custo de vida permanece um fator decisivo na avaliação do governo.
A alta dos alimentos, dos combustíveis e de outras despesas essenciais mostra que os indicadores gerais da economia nem sempre correspondem à experiência financeira das famílias. Para milhões de americanos, a preocupação imediata não é apenas a evolução da inflação, mas a capacidade de pagar as contas, manter uma alimentação adequada e chegar ao fim do mês sem comprometer as despesas básicas.
Fontes e referências
- Pesquisa sobre a redução das refeições devido ao preço dos alimentos: The Independent — levantamento da Self Financial.
- Série histórica dos preços dos alimentos para consumo doméstico: Federal Reserve Bank of St. Louis — Consumer Price Index for Food at Home.
- Pesquisa sobre custo de vida, combustíveis e avaliação dos partidos: The New York Times/Siena Research Institute — pesquisa nacional de 21 de outubro de 2026.
- Pesquisa sobre a situação financeira das famílias: Goldman Sachs — Retirement Survey.
- Monitoramento dos preços dos combustíveis: GasBuddy — acompanhamento dos preços da gasolina


