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Framingham, Massachusetts — Faltando apenas nove dias para a formatura, Edison S. T., de 19 anos, viajou para New Hampshire para trabalhar em uma construção. O objetivo era comprar um vestido para a mãe usar na cerimônia de colação de grau da Framingham High School.
Em vez de voltar com o dinheiro do vestido, o jovem equatoriano foi parado em uma blitz de trânsito e detido pela ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement). Passou cinco dias em um centro de detenção federal — tempo que um juiz de imigração considerou “ilegal”.
A comunidade de Framingham se mobilizou rapidamente. Administradores da escola enviaram uma carta à Justiça pedindo a liberação do aluno a tempo para a solenidade. O pedido foi atendido: Edison foi solto no dia 1º de junho e, quatro dias depois, caminhou pelo palco de formatura carregando um bichinho de pelúcia com capelo e balões que diziam “Parabéns, Graduado”.
“Foi algo que nunca vou esquecer. Foi um sentimento imenso de felicidade”, disse ele após a cerimônia. Ainda dentro do centro de detenção, o jovem temia não conseguir se formar. “Eu achava que não ia chegar à formatura.”
O caso de Framingham não é isolado. Durante a temporada de formaturas de 2026, dezenas de estudantes imigrantes em todo o país tiveram seus últimos dias de escola transformados em pesadelo por operações da ICE.
De Chicago a Austin, no Texas, e Los Angeles, agentes federais prenderam jovens a caminho do trabalho, em consultas de imigração e até no dia seguinte à formatura. Um estudante afegão de 18 anos, cujo pai atuou como intérprete das Forças Armadas americanas, foi detido em Cheshire, Connecticut. Em Los Angeles, um aspirante a médico foi preso logo após receber o diploma.
Em Milford, Massachusetts, o caso de Marcelo Gomes da Silva, preso em 2025 a caminho do treino de vôlei, foi lembrado na formatura deste ano. O presidente da turma lembrou na solenidade: “Aprendemos o verdadeiro significado da resiliência quando um de nossos colegas enfrentou uma injustiça.”
Em Martha’s Vineyard, um estudante brasileiro de 15 anos foi detido enquanto pescava com o pai. “Achei que ia voltar para o Brasil. Achei que não havia outra opção. Foi horrível”, contou o jovem. Após quatro dias detido, ele foi liberado — e dezenas de colegas saíram das salas de aula em protesto.
De acordo com análise do The Marshall Project, mais de 6 mil menores foram detidos pela ICE no segundo mandato de Donald Trump, com média diária dez vezes maior do que no governo Biden.
A administração Trump revogou a política que protegia “locais sensíveis”, como escolas, de operações de imigração. Em resposta, a governadora de Massachusetts, Maura Healey, divulgou orientações para que diretores exijam mandado judicial antes de permitir a entrada de agentes e proibiu o uso de instalações estaduais em ações da ICE.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que, embora a prioridade sejam pessoas com antecedentes criminais, “qualquer um que esteja no país ilegalmente não está fora do alcance”.
Para as famílias, o trauma permanece. A mãe de Edison, Maria T., relembrou com emoção: “Correntes nos pezinhos dele, mãos algemadas atrás das costas. Foi muito triste pensar no meu filho sendo levado assim.”
Edison planeja cursar engenharia, mas precisa trabalhar para ajudar a família. Sua próxima audiência de imigração está marcada para 15 de julho.
Ele sabe que teve sorte por ter uma escola e uma comunidade que se uniram por ele. Ainda pensa no colega de trabalho, um imigrante mais velho que dirigia o carro no dia da prisão e que não teve o mesmo apoio.
Casos como o de Framingham revelam o impacto humano da política migratória mais dura: jovens que estudam, trabalham e sonham com o futuro veem seus diplomas ameaçados por uma batida de trânsito ou uma ordem de detenção.


