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TAPACHULA, México — Centenas de migrantes, a maioria do Haiti, deixaram a cidade mexicana de Tapachula a pé na terça-feira em busca de melhores condições de vida em outras regiões do México.
Diferentemente das caravanas migratórias do passado, que tinham como destino a fronteira com os Estados Unidos, muitos dos participantes dessa marcha afirmaram ter perdido a esperança de chegar ao país norte-americano devido às restrições impostas pela administração do presidente Donald Trump aos solicitantes de asilo.
Em vez de rumar para o norte, os migrantes declararam intenção de se estabelecer em grandes cidades mexicanas, onde esperam encontrar trabalho e apresentar pedidos de asilo. Alguns relataram ter passado meses em Tapachula, cidade próxima à fronteira com a Guatemala, sem obter respostas sobre seus processos de asilo.
“Os Estados Unidos não são mais uma opção para nós”, disse Jerry Gabriel, migrante haitiano de 29 anos. “Queremos apenas chegar a Cidade do México, Monterrey, Tijuana ou outro lugar onde possamos viver.”
Em março, outro grupo de várias centenas de migrantes partiu de Tapachula a pé, mas a caravana se dissolveu após 12 dias de marcha, após um acordo com oficiais da imigração mexicana.
Durante o governo da presidente Claudia Sheinbaum, que assumiu o cargo em outubro de 2024, já ocorreram 18 caravanas migratórias saindo de Tapachula. Nenhuma delas conseguiu avançar além do estado de Oaxaca, no sul do México.
Os haitianos representam um quarto dos pedidos de asilo registrados no México. De acordo com a agência nacional de refugiados do país, 127 mil haitianos apresentaram solicitações de asilo entre 2020 e 2024.
A marcha reflete uma mudança no padrão migratório na região: com as políticas mais rígidas de asilo nos Estados Unidos, muitos migrantes que antes viam o país como destino final agora buscam alternativas dentro do próprio México, pressionando as autoridades locais por regularização e oportunidades de emprego.


