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O economista-chefe da Moody’s, Mark Zandi, atribui o aumento do desemprego entre trabalhadores nascidos nos Estados Unidos às políticas de imigração do presidente Donald Trump. Segundo ele, as restrições à entrada de mão de obra estrangeira, combinadas a outras medidas do governo, estão gerando choques de oferta que desaceleram o crescimento e pressionam a inflação.
Zandi observou que, em outubro de 2025, a taxa de desemprego entre imigrantes caiu abaixo da taxa registrada entre americanos nativos — um movimento incomum. Em entrevista à Fortune, o economista disse esperar uma eventual mudança na política migratória, mas alertou para impactos estagflacionários imediatos no mercado de trabalho: alta de preços sem crescimento correspondente da produção.
“O choque estagflacionário pelo lado da oferta causado pelas tarifas faz a mesma coisa”, afirmou. Segundo Zandi, a economia americana enfrenta atualmente três grandes choques de oferta impulsionados por políticas públicas: as restrições à imigração, as tarifas comerciais e a guerra no Irã. “A única razão pela qual a economia não está em completo caos é a inteligência artificial”, disse.
O economista explica que a queda na demanda por mão de obra atinge de forma mais intensa os trabalhadores nativos, que passaram a representar uma parcela maior da força de trabalho. Além disso, muitos americanos não têm disposição ou experiência para ocupar as funções tradicionalmente desempenhadas por imigrantes.
“Esses empregos são tipicamente muito difíceis, árduos, que exigem grande esforço físico. Os trabalhadores nativos simplesmente não os fazem há bastante tempo e não estão dispostos a assumi-los agora — certamente não com esses salários”, afirmou Zandi.
Risco de escassez de mão de obra no campo
As declarações ecoam alertas anteriores do Departamento do Trabalho americano. A repressão migratória pode agravar a falta de trabalhadores rurais, interromper a produção agrícola e provocar escassez de alimentos e alta de preços.
Estrangeiros respondem por cerca de 38% das ocupações em agricultura, pesca e silvicultura. Estima-se que 42% dos trabalhadores de lavoura possam ficar indisponíveis com o endurecimento da política migratória. O próprio governo reconhece que trabalhadores americanos dificilmente substituirão a mão de obra estrangeira nessas funções, devido às condições físicas exigentes e ao ambiente de trabalho.
Desemprego e participação na força de trabalho
Em julho, a taxa de desemprego americana caiu para 4,1%, mesmo com a eliminação de 23 mil postos de trabalho. A taxa de participação na força de trabalho recuou para 61,4% — o menor nível desde fevereiro de 2021. Isso indica que a melhoria aparente no desemprego ocorreu, em parte, porque menos pessoas estão trabalhando ou procurando emprego ativamente.
Contraponto da Casa Branca
A Casa Branca argumenta que as políticas de imigração de Trump estão elevando os salários dos americanos, especialmente nos setores de construção, manufatura e transporte. Dados do Federal Reserve de Nova York mostram crescimento salarial robusto na construção e na mineração, impulsionado em parte pela demanda por data centers de inteligência artificial e por mudanças nas políticas.
Outro economista, Mihir Torsekar, avalia que a crise de acessibilidade nos Estados Unidos está mais relacionada à estagnação salarial do que aos preços elevados. Embora os ganhos horários reais tenham subido 1,4% entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o avanço continua modesto diante do crescimento econômico e dos lucros corporativos das últimas décadas.


