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A vantagem republicana no tema imigração, um dos pilares da reeleição de Donald Trump, praticamente desapareceu. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (17) mostra que 40% dos eleitores registrados consideram que os republicanos têm a melhor abordagem sobre a política migratória, contra 38% que preferem os democratas.
A diferença de apenas dois pontos percentuais é a menor registrada desde o início do segundo mandato de Trump. Em janeiro de 2025, logo após a posse, a vantagem republicana era de 26 pontos.
O levantamento foi realizado online ao longo de quatro dias com 1.166 adultos americanos e tem margem de erro de três pontos percentuais. A Casa Branca rejeita a leitura de que os números indiquem fragilidade. Em nota anterior, o porta-voz Davis Ingle afirmou que “nenhum outro presidente na história realizou mais pelo povo americano do que o presidente Trump” e destacou avanços em empregos, inflação e moradia.
Queda progressiva de apoio
Quando Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, 48% dos americanos aprovavam sua gestão na área de imigração, segundo dados da Ipsos. A política dura na fronteira e a promessa da maior operação de deportação da história dos Estados Unidos foram centrais em sua campanha de 2024.
Em junho de 2025, o índice de aprovação caiu para 44%. Naquele mês, protestos em Los Angeles contra operações do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) levaram Trump a federalizar a Guarda Nacional da Califórnia e a enviar 2 mil militares. O governador Gavin Newsom criticou a medida como “propositalmente inflamatória” e processou o governo federal. As manifestações se espalharam por Nova York, Chicago e Dallas.
Em fevereiro de 2026, a operação Metro Surge, em Minneapolis e Saint Paul (Minnesota), provocou nova queda. Em menos de três semanas, dois cidadãos americanos foram mortos a tiros por agentes federais: Renee Good, mãe de três filhos, e Alex Pretti, enfermeiro. A aprovação da política migratória de Trump atingiu então 38%, o pior patamar do segundo mandato.
O novo levantamento ocorre após mais um episódio grave: em julho, um agente do ICE matou o motorista colombiano Johan Sebastián Durán Guerrero, de 26 anos — pelo menos a nona morte relacionada à repressão migratória desde o início do governo. Em 2025, pelo menos 30 pessoas morreram sob custódia do ICE, o maior número anual desde 2004. Nos primeiros cinco meses de 2026, já foram registradas 18 mortes.
Apesar da erosão de apoio, Trump e seus aliados defendem a linha dura. No discurso sobre o Estado da União de fevereiro de 2026, o presidente afirmou que a administração “está deportando criminosos ilegais em números recordes” e que a política torna as comunidades mais seguras.
Aprovação geral no pior nível
A pesquisa também aponta que a aprovação geral de Trump caiu para o nível mais baixo do segundo mandato: 33% de aprovação contra 64% de desaprovação.
Um dos principais fatores de desgaste é a guerra no Irã, que se arrasta há quase seis meses sem perspectiva clara de paz. Segundo o levantamento, 80% dos americanos (87% dos democratas e 71% dos republicanos) acreditam que o conflito se prolongará por muito tempo. Apenas 16% esperam que termine em poucas semanas.
A guerra afetou cerca de um quinto do comércio global de petróleo e elevou o preço da gasolina nos Estados Unidos, pressionando o custo de vida. Na sexta-feira, Trump afirmou: “Nunca vou me desculpar. Fiz a coisa certa.”
No tema economia, os eleitores passaram a preferir os democratas: 38% consideram que o partido democrata lida melhor com a questão, contra 35% que preferem a abordagem republicana.


