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A dois meses e meio das eleições intermediárias de 3 de novembro, o governo de Donald Trump reforça mensagens que geram desconfiança no sistema eleitoral e preocupação entre os eleitores. O presidente e seus aliados afirmam que existe uma “invasão” de indocumentados e que não cidadãos votam de forma fraudulenta. Trump sustenta que o número de imigrantes irregulares nos Estados Unidos ultrapassa 25 milhões.
Paralelamente, a administração avança em restrições em várias frentes da imigração. A revista Forbes relatou que o governo aplica limitações generalizadas à imigração legal, afetando cidadãos americanos que patrocinam familiares, empregadores e diversas categorias de vistos, incluindo os de diversidade e de refugiados.
Analistas da Fundação Nacional para a Política Americana projetam uma redução de 33% a 50% na imigração legal até o fim do mandato de Trump — o equivalente a 1,5 a 2,4 milhões de pessoas a menos. A previsão aponta para impacto econômico, com queda estimada de US$ 1,9 trilhão em bens e serviços.
No campo eleitoral, Trump e seus funcionários insistem que há fraude generalizada. Circulam especulações de que o presidente possa tentar declarar uma “emergência” para intervir nas eleições de novembro.
Sobre o número de indocumentados, o Migration Policy Institute publicou em julho de 2026 análise que estima em cerca de 15,8 milhões o total de imigrantes irregulares nos EUA em meados de 2024 — após ter oscilado em torno de 11 milhões na década iniciada em 2010. A cifra defendida por Trump (mais de 25 milhões) é significativamente superior às estimativas de institutos especializados.
O custo econômico das deportações
A ofensiva de deportações, segundo analistas, pode gerar efeitos adversos para o próprio governo. Pesquisas indicam que Trump e os republicanos enfrentam dificuldades junto aos eleitores por causa do manejo da economia. As políticas migratórias, ao reduzir a força de trabalho em setores-chave, contribuem para a elevação de preços de bens e serviços — fenômeno que o grupo America’s Voice denomina “imposto do ICE”.
Os custos sobem em alimentos, moradia e serviços como jardinagem, cuidado de crianças, idosos e doentes. Ao mesmo tempo, os contribuintes arcam com as despesas de detenção e deportação e deixam de receber a arrecadação de impostos (renda, vendas e propriedade) pagos por indocumentados e imigrantes autorizados que perderam proteções.
O Instituto de Política Econômica calculou o impacto estimado por estado e por contribuinte. No condado de Miami-Dade, na Flórida — que votou em Trump em 2024 —, o custo projetado de detenções e deportações no restante do mandato seria de cerca de US$ 3,7 bilhões, ou US$ 4.023 por contribuinte. Com o mesmo valor, seria possível contratar 15.816 professores, 15.095 bombeiros ou 11.157 enfermeiros, ou ainda incluir 266.702 pessoas no Medicaid e 121.385 crianças no Head Start.
No condado de Los Angeles, na Califórnia, o custo estimado chega a US$ 9,245 bilhões — US$ 2.769 por contribuinte. O mesmo montante permitiria contratar 24.325 professores, 24.079 bombeiros ou 16.633 enfermeiros, ou ampliar o Medicaid para 418.531 pessoas e o Head Start para 162.859 crianças.
David Bier, analista do Instituto Cato, observa que Trump e sua equipe trabalham com cifras de indocumentados superiores às estimativas convencionais. Segundo o Departamento de Segurança Nacional, cada deportação custa, em média, US$ 18.245. Ao elevar o número em 10 milhões de pessoas, o governo adiciona US$ 182,4 bilhões teóricos ao custo total.
A perda de receita fiscal também é relevante. O Departamento Orçamentário do Congresso estimou que as chegadas recentes de imigrantes indocumentados teriam reduzido o déficit em quase US$ 1 trilhão em dez anos. A campanha de repressão de 2025 já eliminou cerca de US$ 500 bilhões desses potenciais ganhos, de acordo com Bier.
Deportar trabalhadores, concluem os analistas, acaba gerando efeitos negativos sobre a própria economia americana.


