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Genebra, 19 de junho de 2026: Enquanto os ministros das Relações Exteriores dos Estados Unidos e do Irã se preparam para assinar o que já está sendo chamado de “framework deal”, o mundo assiste a um espetáculo que revela, com clareza brutal, a diferença entre poder real e poder propagandístico.
Donald Trump não conquistou uma vitória esmagadora como George W. Bush em 2003 no Iraque. Tampouco destruiu o regime iraniano. Mas fez algo que poucos líderes ocidentais tiveram coragem de fazer nos últimos anos: usou a força militar de forma cirúrgica e limitada, impôs custos reais ao adversário e, em seguida, sentou-se à mesa com a vantagem do lado forte. O resultado? Um cessar-fogo que reabre o Estreito de Ormuz, danifica gravemente o programa nuclear iraniano e deixa Teerã mais fraco do que estava em fevereiro.
Os ataques conjuntos EUA-Israel entre fevereiro e junho de 2025-2026 não foram brincadeira. Natanz, Fordow e Isfahan foram seriamente atingidas. Grande parte da infraestrutura nuclear e de mísseis foi degradada. O estoque de urânio altamente enriquecido está sob pressão para ser destruído ou removido nos próximos 60 dias, com inspeções que o acordo de Obama jamais sonhou impor. O Hezbollah foi duramente golpeado no Líbano, com Israel ocupando zonas de segurança no sul — enfraquecendo o principal proxy iraniano. Khamenei morreu, a liderança da Guarda Revolucionária foi decapitada, e o Irã perdeu capacidade de armar seus aliados regionais com a eficiência de antes.
Trump pode, agora, declarar “missão cumprida” e desengajar quando quiser. Os preços do petróleo caem, a gasolina americana barateia, e ele ganha fôlego político antes das midterms. O Irã, por sua vez, sobreviveu, mas sangrando. Aceitou o acordo porque precisava desesperadamente de alívio econômico. Sobreviveu, sim. Mas saiu fragilizado.
E aqui entra o contraste que ninguém quer admitir em voz alta em Pequim.
Enquanto Trump e Netanyahu agiam, Xi Jinping assistia. A China, essa potência tão propalada, cujo poder econômico e militar é vendido como inexorável, foi incapaz de impedir ou mesmo de alterar significativamente o curso dos eventos. Pior: não conseguiu nem proteger seu parceiro estratégico no Oriente Médio. As palavras duras de Pequim, as ameaças veladas, os exercícios navais no Pacífico — tudo isso se revelou o que realmente é: retórica.
Taiwan continua fora do alcance de Xi. Exatamente como o Irã não foi capaz de deter os ataques americanos e israelenses com seus mísseis e proxies. A diferença é reveladora: os Estados Unidos demonstraram que ainda estão dispostos a usar força quando consideram seus interesses vitais em jogo. A China, não — pelo menos não ainda, e não contra um adversário que pode responder à altura.
Liderança internacional não se constrói com discursos no Fórum de Davos, com mapas distorcidos no Global Times ou com promessas de “reunificação pacífica”. Liderança se faz com capacidade demonstrada de impor custos ao inimigo e, ao mesmo tempo, de sair da briga com ganhos tangíveis. Trump, com todos os seus defeitos e exageros, entendeu isso. Putin, atolado na Ucrânia há mais de três anos, paga o preço de não ter conseguido o mesmo.
O Irã está mais fraco. Os EUA também pagaram um preço, mas temporário e assimétrico. Trump tem a opção de escolher o momento de desengajar. O regime de Teerã, não. E Pequim, que financia e arma parte dessa rede de resistência antiocidental, viu seu investimento estratégico ser bombardeado sem conseguir reagir de forma decisiva.
Este é o recado de 2026: o mundo continua sendo governado pela força, ou pela ameaça crível de usá-la. Todo o resto — narrativas de “ascensão pacífica”, “multipolaridade” ou “fim da hegemonia americana” — é ruído. O acordo de Genebra não enterra o Irã, mas enterra a ilusão de que basta falar alto para se tornar líder global. A história, mais uma vez, é escrita por aqueles que têm coragem de agir, não apenas de narrar.


