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Nova York/Washington, 25 de maio de 2026 — O ex-deputado federal pelo partido republicano de NY, George Santos, filho de imigrantes brasileiros e uma das figuras mais polêmicas da política dos EUA, manifestou interesse no novo fundo de quase US$ 1,8 bilhão criado pela administração Trump. No entanto, ele afirma que não busca dinheiro: quer um pedido de desculpas oficial do governo.
Nascido em Queens (Nova York) em 1988, Santos é filho de Fátima Alzira Caruso Horta Devolder (fluminense) e Gercino Antônio dos Santos Jr. (mineiro). Ele se tornou o primeiro deputado republicano abertamente gay eleito em Nova York em 2022, mas sua trajetória foi marcada por escândalos, mentiras sobre sua biografia e uma condenação criminal.
De acordo com reportagem do The Washington Post, Santos está considerando se candidatar ao fundo, batizado informalmente de Fundo Anti-Weaponização (Anti-Weaponization Fund). “Não é uma questão monetária para mim. Eu não fui prejudicado. Consigo manter minha renda. Quero corrigir o registro. Acho que é uma ótima oportunidade para isso”, declarou ele ao jornal.
O fundo de US$ 1,776 bilhão foi criado como parte de um acordo para encerrar uma ação judicial da família Trump contra o IRS (Receita Federal americana) por vazamento de declarações de imposto. O dinheiro virá do Judgment Fund do Tesouro, uma reserva permanente usada para pagar acordos e indenizações. O objetivo oficial é compensar pessoas que alegam ter sofrido “perseguição política” ou “lawfare” durante a administração Biden. Uma comissão de cinco membros, indicada pelo procurador-geral interino, avaliará os pedidos.
O histórico de Santos
Santos foi expulso da Câmara dos Representantes em dezembro de 2023 — o primeiro deputado a ser removido sem condenação criminal prévia desde a Guerra Civil. Em 2024, ele se declarou culpado de fraude eletrônica (wire fraud) e roubo de identidade agravado, acusações que envolviam esquema de doações falsas à sua campanha, uso de dados de doadores (incluindo familiares) e inflar contribuições para obter apoio do Partido Republicano.
Foi condenado a mais de sete anos de prisão, mas o presidente Trump comutou sua pena em outubro de 2025. Santos cumpriu menos de um ano atrás das grades.
Apesar do histórico, ele mantém o discurso de que foi alvo de “perseguição seletiva”. Para a comunidade brasileira nos EUA, Santos representa um caso emblemático: um imigrante de segunda geração que chegou ao Congresso, mas cuja ascensão rápida foi seguida de queda igualmente dramática.
Contexto maior do fundo
Outros aliados de Trump, como o advogado Mark McCloskey (conhecido por apontar armas contra manifestantes em 2020), participantes do 6 de janeiro e o ex-governador Rod Blagojevich também demonstraram interesse no fundo. Críticos, incluindo democratas e até alguns republicanos no Senado, chamam a iniciativa de “slush fund” (fundo de propina) e questionam sua constitucionalidade. Organizações de vigilância e oficiais de polícia feridos no Capitólio em 2021 já entraram na Justiça para tentar bloquear o pagamento.
Para a grande comunidade brasileira e luso-americana espalhada por Nova York, New Jersey, Massachusetts, Flórida e Califórnia, o caso de George Santos continua gerando debate: orgulho pela representatividade ou constrangimento pelos escândalos?
A administração Trump defende que o fundo corrige injustiças passadas. Santos, por enquanto, diz que sua prioridade é “esclarecer os fatos”.
A situação segue em desenvolvimento. O processo de inscrições ainda não foi detalhado oficialmente.


