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O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) deixou de informar publicamente a localização de milhares de imigrantes detidos que receberam ordens finais de deportação. A mudança, adotada sem anúncio público em 15 de setembro, dificulta o trabalho de advogados e o contato de familiares com os detidos, segundo autoridades atuais e ex-funcionários ouvidos pela Associated Press.
A medida retirou esses casos do sistema on-line de localização de detidos do ICE. A American Immigration Lawyers Association (AILA) confirmou ter recebido relatos de que pessoas com ordens finais deixaram de aparecer na ferramenta e alertou seus membros sobre a mudança.
O ICE não confirmou nem negou a alteração à AP. Em comunicado, a agência afirmou que pessoas com ordens finais de remoção estão entre as prioridades para deportação, enquanto enfrenta um número elevado de decisões judiciais que suspendem remoções individuais.
Advogados de imigração afirmam que a ausência das informações pode dificultar o acesso aos clientes e a apresentação de medidas judiciais de última hora. Mesmo após uma ordem final, existem mecanismos legais para contestar a detenção ou tentar reabrir um processo em determinadas circunstâncias.
Em julho, quase 16 mil pessoas detidas pelo ICE tinham ordens finais de remoção, mais de um terço das detenções registradas naquele mês, segundo dados obtidos pelo Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia. O sistema de localização já apresentava limitações, mas advogados afirmam não haver precedente semelhante para a retirada sistemática desse grupo.
A medida não alcança algumas instalações submetidas a ordens judiciais que obrigam o ICE a informar rapidamente a presença de detidos no sistema.


