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Uma série de incêndios florestais de rápida propagação atingiu o estado de Washington, no noroeste dos Estados Unidos, neste fim de semana (1º e 2 de agosto de 2026), com destaque para a região de Spokane, a segunda maior cidade do estado. Os focos, impulsionados por ventos fortes, baixa umidade e condições de seca extrema, destruíram pelo menos 600 estruturas — entre casas, comércios e outras edificações —, com estimativas mais recentes chegando a cerca de 640. Autoridades locais classificaram o evento como o maior desastre natural da história do condado de Spokane.
Os principais focos — Old Trails, Fairview e Autumn Lane — iniciaram no sábado (1º de agosto) e avançaram rapidamente sobre áreas suburbanas e urbanas, inclusive saltando o rio Spokane. Até o domingo, haviam queimado mais de 8 mil acres (cerca de 3,2 mil hectares) apenas na região de Spokane, com contenção próxima de zero por cento. Evacuações de nível 3 (“saia agora”) atingiram milhares de residências; relatos oficiais e de imprensa apontam de 5 mil a até 60 mil pessoas deslocadas, incluindo pacientes de um hospital de veteranos. Abrigos foram montados no centro de convenções da cidade, e cerca de 10 mil pessoas ficaram sem energia elétrica no pico da crise.
No estado de Washington como um todo, a temporada de 2026 já queimou cerca de 425 mil acres (aproximadamente 172 mil hectares), com mais de 1 mil focos registrados desde maio. Em nível nacional, até 2 de agosto, os Estados Unidos registravam 45.835 incêndios que consumiram mais de 5,2 milhões de acres (cerca de 2,1 milhões de hectares), superando a média dos últimos dez anos. Há cerca de 92 a 99 grandes focos ativos, concentrados principalmente em Oregon (cerca de 29) e Washington (16 a 17). O maior deles, o Big Grass Fire (Oregon/Idaho), ultrapassa 300 mil acres.
A causa específica dos focos de Spokane ainda está sob investigação. Oficiais afirmam que a origem permanece desconhecida, e não há confirmação oficial de raio, ação humana ou outras causas. Em muitos outros grandes incêndios de Washington e Oregon deste verão (como Kaiser Canyon, Little Giant e Big Grass), a ignição foi atribuída a raios secos de tempestades.
As condições ambientais, no entanto, foram determinantes: o estado enfrenta seca recorde, com emergência declarada desde abril; temperaturas elevadas e ventos de 35 a 45 mph (com rajadas ainda mais fortes) criaram o que o Serviço Nacional de Meteorologia classificou como “Particularly Dangerous Situation” (situação particularmente perigosa) — o primeiro alerta desse tipo na história de Washington. O governador Bob Ferguson decretou emergência estadual no sábado e impôs proibição de queimadas até 30 de setembro, mobilizando a Guarda Nacional. Especialistas e autoridades apontam a combinação de seca prolongada, vegetação extremamente seca e vento como o principal catalisador da rápida expansão, em um contexto de temporada já acima da média.
A situação permanece dinâmica. Recursos federais e estaduais estão sob forte pressão (nível nacional de preparação 5), com quase 28 mil bombeiros e pessoal de apoio em ação no país. A qualidade do ar piorou no leste de Washington e Oregon, com previsão de fumaça afetando também Seattle e Portland nesta semana.
Incêndios na Europa
Na Europa, a temporada de 2026 também se mostra intensa, especialmente no sul e oeste do continente. Até 29 de julho, a União Europeia registrava 434.976 hectares queimados desde o início do ano — valor superior ao de 2025 (ano recorde anterior, com 346.836 ha no mesmo período) e mais que o dobro da média de longo prazo (172.186 ha). Foram detectados 1.407 focos, com emissões de CO₂ acima da média.
As regiões mais afetadas concentram-se no sul e oeste:
- Espanha e França: focos significativos nos últimos dias e semanas, com milhares de hectares consumidos e deslocamentos de população. Um grande incêndio na região de Sierra Oeste (oeste de Madri) foi parcialmente controlado, mas o país manteve alerta elevado.
- Portugal: distritos do norte, centro e Algarve sob risco máximo em períodos recentes; condições descritas como “barril de pólvora” por autoridades.
- Grécia: novos focos no final de julho forçaram evacuações de vilarejos; risco crescente no início de agosto.
- Outras áreas: Itália (especialmente norte e arco alpino), Península Ibérica de forma ampla, Bálcãs e até o Reino Unido (incêndio em reserva natural em Suffolk, Inglaterra, no final de julho).
A previsão de perigo de incêndio para o início de agosto indicava condições “muito extremas” em amplas áreas da Europa Ocidental e Central (França, arco alpino, Ilhas Britânicas) e extremas na Península Ibérica, Bálcãs e partes do Norte da África. Ondas de calor e seca continuam alimentando o risco em grande parte do Mediterrâneo e além. Autoridades europeias alertam que o perigo permanece elevado ao longo de agosto.
A crise nos dois continentes reforça o padrão de temporadas cada vez mais longas e intensas, impulsionadas por condições climáticas extremas.


