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O mercado clandestino de medicamentos para emagrecer não é um problema exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, vendedores oferecem pela internet versões não autorizadas de substâncias experimentais, algumas comercializadas em frascos que prometem conter os mesmos princípios ativos desenvolvidos por grandes laboratórios farmacêuticos.
Documentos analisados pela CBS News mostram que a Food and Drug Administration (FDA), agência americana responsável pela regulamentação de medicamentos, recebeu relatos de duas mortes envolvendo pessoas que teriam utilizado produtos vendidos como retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela Eli Lilly. Ainda não foi comprovado que a substância tenha causado as mortes, nem que os produtos utilizados contivessem efetivamente o composto anunciado.
Os casos chamam a atenção porque a retatrutida ainda não foi aprovada para comercialização. A substância permanece em investigação clínica e desperta interesse por seus resultados preliminares na redução de peso. A expectativa em torno do medicamento, porém, também alimenta um mercado paralelo que oferece versões sem as garantias exigidas para produtos farmacêuticos autorizados.
Duas mortes sob investigação
O primeiro relato encaminhado à FDA descreve a morte, em julho, de uma mulher de 41 anos com obesidade, que sofreu uma parada cardíaca após apresentar batimentos acelerados. Segundo o documento, ela havia obtido a suposta retatrutida de uma fonte considerada não confiável.
Em setembro, a agência recebeu outro relato, referente a uma paciente de 49 anos que teria comprado o produto por indicação de uma enfermeira licenciada. O documento menciona desidratação grave, desnutrição e parada cardíaca.
Os registros não estabelecem uma relação causal entre o produto e as mortes. A FDA também não confirmou publicamente se verificou os casos ou analisou os frascos utilizados.
A Eli Lilly afirmou que os episódios envolvem produtos do mercado clandestino e alertou que essas preparações podem conter quantidades inadequadas do princípio ativo, substâncias diferentes das anunciadas ou contaminantes.
A promessa do emagrecimento fácil
O interesse pela retatrutida acompanha o sucesso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, associados ao tratamento do diabetes e, em determinadas apresentações, ao controle do peso. A procura crescente por tratamentos farmacológicos para emagrecer abriu oportunidades comerciais, mas também criou espaço para vendedores que exploram a expectativa de resultados rápidos.
Nos Estados Unidos, a comercialização de medicamentos não aprovados enfrenta restrições legais. Mesmo assim, produtos anunciados como peptídeos destinados exclusivamente à pesquisa aparecem em sites, estabelecimentos de bem-estar e canais de venda pela internet.
O problema também interessa ao Brasil, onde medicamentos para emagrecimento são alvo de falsificações e comercialização irregular. Em ambos os países, embalagens convincentes e anúncios profissionais podem criar uma aparência de legitimidade que não comprova a autenticidade do produto.
A diferença entre um medicamento autorizado e um frasco adquirido de um fornecedor desconhecido não é apenas burocrática. Sem controle confiável de composição, concentração, armazenamento e procedência, o consumidor não tem como saber com segurança o que está injetando.
A busca pelo emagrecimento pode ser legítima. O risco começa quando a promessa de perder peso se sobrepõe à verificação da origem e da segurança do medicamento.


