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Um grupo de senadores democratas do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos publicou, na noite desta terça-feira (28 de julho), uma nota crítica ao governo do presidente Donald Trump. No texto, eles acusam a administração americana de tentar intervir diretamente no processo eleitoral brasileiro ao propagar “teorias da conspiração” sobre o pleito de outubro.
A declaração foi divulgada no perfil oficial da ala democrata do comitê no X (@SFRCdems), liderado pela senadora Jeanne Shaheen (democrata de New Hampshire), ranking member (líder da minoria) do colegiado. O trecho central da nota afirma:
> “Peddling election conspiracies doesn’t make America safer. It erodes trust in our democracy at home and drives our friends away abroad.”
> (“Propagar teorias da conspiração eleitoral não torna a América mais segura. Isso minam a confiança em nossa democracia internamente e afasta nossos aliados no exterior.”)
Segundo a manifestação, o governo americano busca interferir diretamente com o processo eleitoral de outro país. A nota surge como reação à reportagem do The Washington Post, publicada dias antes, que revelou planos da administração Trump de enviar dois funcionários seniores do Departamento de Estado ao Brasil. O objetivo seria produzir um relatório questionando a integridade e a imparcialidade do sistema eleitoral brasileiro — especialmente as urnas eletrônicas — às vésperas da eleição presidencial.
O Itamaraty negou os vistos de entrada aos oficiais cerca de uma semana antes da viagem prevista. Do lado americano, autoridades qualificaram a reportagem do jornal como “mentira sem fundamento”, embora tenham confirmado que os dois funcionários realmente embarcariam para Brasília. Em comentário adicional ligado à cobertura, Shaheen destacou a mudança de postura dos EUA: antes, o país usava seu poder para apoiar democracias em risco; agora, enviaria nomeados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outra nação.
A declaração foi apresentada como posição da ala democrata do Comitê de Relações Exteriores. Além de Jeanne Shaheen (D-NH), constam os seguintes senadores (todos democratas):
- Chris Coons (D-Delaware)
- Chris Murphy (D-Connecticut)
- Tim Kaine (D-Virgínia)
- Jeff Merkley (D-Oregon)
- Cory Booker (D-Nova Jersey)
- Brian Schatz (D-Havaí)
- Chris Van Hollen (D-Maryland)
- Tammy Duckworth (D-Illinois)
- Jacky Rosen (D-Nevada)
Relevância da manifestação
A declaração tem peso político relevante por vários motivos. Em primeiro lugar, parte do principal comitê do Senado responsável pela política externa americana, o que dá à crítica um caráter institucional e não apenas partidário isolado. Em segundo lugar, ocorre em um momento de tensão nas relações EUA-Brasil sob o segundo mandato de Trump, marcado por divergências sobre o julgamento de Jair Bolsonaro, ameaças comerciais e agora a tentativa de questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Ao exportar a retórica de “fraude eleitoral” e “teorias da conspiração” — a mesma usada internamente pelos republicanos desde 2020 —, o governo Trump arrisca deteriorar ainda mais a confiança de aliados históricos na América Latina. Brasil é a maior economia e democracia da região; um atrito aberto sobre a soberania eleitoral reforça a percepção de interferência e pode empurrar Brasília para maior aproximação com outros parceiros.
Para os democratas, a nota também serve a um objetivo doméstico: denunciar que a obsessão do presidente com narrativas de fraude não se limita às eleições americanas, mas está sendo internacionalizada, prejudicando a imagem dos EUA como defensor da democracia. Em um ano eleitoral nos Estados Unidos (midterms de 2026), a crítica reforça o contraste entre as duas forças políticas sobre o tema da integridade eleitoral.
Ainda não houve resposta oficial imediata da Casa Branca ou do Departamento de Estado à nota dos senadores. O episódio, no entanto, já amplia o debate sobre os limites da diplomacia americana e o uso de recursos oficiais para contestar sistemas eleitorais de países soberanos.


