Tiago Prado
Ter imóvel, empresa, aplicações e renda no Brasil não é necessariamente diversificação. Se todos os ativos e obrigações respondem ao mesmo país, à mesma moeda e ao mesmo ambiente econômico, o risco continua concentrado.
A eleição terminou com 51,79% dos votos válidos para Lula e 48,21% para Flávio Bolsonaro.¹ O resultado não é uma ordem para tirar dinheiro do Brasil. É um lembrete de que política, juros, câmbio e regras tributárias podem atingir o patrimônio de quem mantém tudo exposto ao mesmo sistema.
Muitos empresários confundem quantidade de ativos com diversificação. Têm uma empresa que fatura em reais, imóveis no Brasil, aplicações locais e despesas familiares na mesma moeda. Na planilha, parecem quatro caixas. Na prática, podem reagir à mesma variável.
O risco não é ter Brasil na carteira. O risco é não ter nada além dele.
A resposta preguiçosa seria comprar dólares por medo. A resposta séria é perguntar: qual parte do meu patrimônio gera caixa em outra moeda, para outros clientes e em outra economia?
Uma empresa americana pode fazer isso. Ela pode ter receita em dólares, base de clientes local e custos ligados ao mercado onde opera. Mas só diversifica se o fluxo de caixa for verificável, a gestão existir e a operação sobreviver sem o dono no balcão todos os dias.
Em 2025, investidores estrangeiros destinaram US$ 232,2 bilhões para adquirir, estabelecer ou expandir negócios nos Estados Unidos. Desse total, US$ 218,4 bilhões foram usados para comprar empresas já existentes.² Isso não prova que qualquer pequeno negócio americano seja uma boa compra. Mostra que a aquisição é uma ferramenta global de alocação de capital, não uma excentricidade de brasileiro preocupado com eleições.
Estrangeiros podem ser donos de entidades nos EUA, mas a propriedade não autoriza o exercício de atividades profissionais no país.³ Estrutura societária, vistos, tributação, financiamento e governança precisam fazer sentido antes de qualquer assinatura.
E existe a parte menos confortável: comprar uma empresa fora exige mais trabalho do que abrir uma conta em dólares. É preciso entender os clientes, a concentração de receita, os gerentes-chave, os passivos, os contratos e o capital de giro. É isso que uma due diligence para comprar uma empresa nos EUA deve revelar.
Qual é a verdadeira dificuldade? Para muitos empresários, não é a falta de dólares. É a falta de um processo para analisar uma operação estrangeira com a mesma disciplina que aplicariam ao próprio negócio.
Antes de buscar um alvo, entenda como comprar uma empresa nos EUA sendo brasileiro e por que uma LOI (carta de intenções) bem estruturada protege o preço, as condições e o prazo para a diligência.
Diversificar não é sair correndo. É reduzir a dependência de uma única moeda, de um único mercado e de uma única fonte de caixa.
O controle vem da clareza.
Nota: Conteúdo educacional. Uma aquisição internacional exige análise jurídica, tributária, migratória, regulatória e financeira específica para cada caso.


