Boston— Um estudo conduzido por pesquisadores de instituições de Boston identificou diferenças celulares e genéticas entre tumores colorretais de pacientes com menos de 50 anos e os diagnosticados em pessoas mais velhas. Publicada nesta quinta-feira (29) na revista Nature Medicine, a pesquisa analisou 189 tumores, dos quais 54 pertenciam a pacientes mais jovens, e mais de 850 mil células.
O trabalho reuniu pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, do Mass General Brigham e do Broad Institute. O objetivo foi investigar as características biológicas do câncer colorretal de início precoce, cuja incidência vem aumentando nos Estados Unidos e em outros países.
Diferenças na composição dos tumores
Uma das principais descobertas foi a presença proporcionalmente maior de células estromais nos tumores de pacientes jovens. Essas células compõem o tecido de suporte que envolve e interage com as células tumorais.
Em outros tipos de câncer, pesquisas anteriores associaram alterações no microambiente tumoral à resistência aos tratamentos. No entanto, o estudo não demonstrou que a maior presença dessas células torne os tumores de pacientes jovens necessariamente mais resistentes à quimioterapia.
Os pesquisadores também identificaram diferenças na atividade dos genes, indicando que os tumores diagnosticados em pessoas mais jovens podem apresentar mecanismos biológicos distintos. Os resultados oferecem novas pistas para investigar a evolução da doença e desenvolver, no futuro, estratégias terapêuticas mais específicas.
Causas ainda não esclarecidas
A pesquisa não determina por que os casos de câncer colorretal estão aumentando entre adultos jovens. Outras investigações têm examinado possíveis fatores associados a essa tendência, como obesidade, alimentação, alterações no microbioma intestinal e exposição a determinadas substâncias produzidas por bactérias.
Esses fatores, porém, não devem ser interpretados como causas comprovadas pelo novo estudo. A contribuição de cada um para o aumento dos diagnósticos continua sendo investigada.
Próximos passos
O atlas celular produzido pelos pesquisadores poderá servir de referência para estudos sobre os mecanismos da doença, a identificação de marcadores biológicos e o desenvolvimento de tratamentos.
Enquanto as pesquisas avançam, especialistas recomendam atenção a sintomas como sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal e dor abdominal contínua, mesmo em pessoas com menos de 50 anos. A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas justifica avaliação médica.
O estudo amplia o conhecimento sobre as diferenças biológicas do câncer colorretal de início precoce, mas ainda não esclarece por que a doença está se tornando mais frequente entre pessoas jovens.


