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Houston (EUA) – Um procurador federal do Texas revelou na quinta-feira novos detalhes sobre os momentos que antecederam a morte de Lorenzo Salgado Araujo, mexicano de 52 anos, abatido por um agente da Imigração e Alfândega (ICE) em 7 de julho, quando seguia para um canteiro de obras em Houston acompanhado de três colegas, um dos quais seu irmão.
As informações apresentadas por Aaron Reitz, procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas, contrariam parcialmente a narrativa inicial do Departamento de Segurança Interna (DHS), que havia acusado Salgado Araujo de “armar” o veículo contra os agentes, justificando o disparo como legítima defesa.
Segundo Reitz, os agentes realizavam operação para deter dois guatemaltecos passíveis de deportação, que trafegavam em uma van semelhante à de Salgado Araujo. Os oficiais acreditaram que o grupo se encaixava na descrição dos procurados. Na primeira abordagem, com uso de luzes policiais, o condutor fez uma conversão em “U” e atravessou um canteiro central para fugir. Horas depois, em novo encontro, quatro agentes em dois veículos cercaram a van.
Dois agentes desceram e ordenaram que Salgado Araujo colocasse o veículo em ponto morto. Foi nesse instante, com um dos oficiais “parcialmente dentro da van ao lado”, que o motorista engatou a ré e, em seguida, tentou avançar, momento em que foi atingido pelo tiro fatal. A nota do procurador não menciona colisão com viatura policial nem afirma que o agente tenha disparado por temer pela própria vida. Também não há registro de feridos entre os oficiais.
A versão inicial do DHS, divulgada no dia do ocorrido, sustentava que Salgado Araujo havia colidido intencionalmente contra um veículo das forças de segurança. A nova declaração do procurador omite qualquer impacto e não identifica o agente que efetuou o disparo.
Agentes relataram ter visto, em visibilidade plena, pequenos sacos com substância branca cristalina dentro da van. O FBI cumpriu mandado de busca para apurar possível presença de entorpecentes. O irmão de Salgado Araujo, que estava no veículo, permanece detido pela ICE. Seu advogado afirma que o material era apenas uma mistura de sais eletrólitos usada pelos trabalhadores para se hidratar no intenso calor texano.
Salgado Araujo vivia nos Estados Unidos havia 35 anos e, segundo a família, estava prestes a regularizar sua situação migratória.
O caso ocorreu poucos dias antes de outras duas mortes de imigrantes em operações semelhantes na Flórida e no Maine, ampliando criticas acerca das ações do Departamento de Segurança Interna.
Até o momento, circulam poucas imagens ou vídeos do incidente nas redes sociais, ao contrário de outros episódios envolvendo agentes federais de imigração. A família mantém o pedido de transparência e planeja vigília em memória da vítima.


