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O programa de testes rápidos de DNA adotado pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) e pela Customs and Border Protection (CBP) busca verificar se adultos e crianças que se apresentam na fronteira como membros de uma mesma família têm, de fato, vínculo biológico. Dados oficiais e casos documentados pelas autoridades mostram que, entre os casos selecionados por suspeita de fraude, uma parcela relevante dos resultados negativos envolveu adultos que já sabiam não ter parentesco com as crianças e tentavam se passar por pais ou responsáveis.
O programa começou em caráter piloto em maio de 2019, nas cidades texanas de McAllen e El Paso. Naquele período, cerca de 30% dos testes realizados em casos considerados suspeitos apresentaram resultado negativo.
Entre junho de 2019 e setembro de 2021, o ICE realizou 3.516 testes. Em 300 deles, equivalentes a 8,5%, os exames não encontraram relação parental biológica. Já entre setembro de 2021 e setembro de 2024, a CBP realizou 314 testes, dos quais 45, ou aproximadamente 14%, apontaram ausência de parentesco.
Os percentuais não representam uma amostra aleatória de famílias que chegam à fronteira. Os testes são direcionados a situações que levantam suspeitas, como documentos irregulares, contradições em entrevistas ou outros indícios de fraude.
Os registros oficiais incluem episódios em que adultos apresentaram documentos falsos e alegaram ser pais de crianças que, posteriormente, os exames demonstraram não serem seus filhos.
Em um dos casos, um homem de 22 anos apresentou uma certidão de nascimento falsa e afirmou que uma menina de 19 meses era sua filha. O teste descartou o parentesco, e ele admitiu que a criança era filha de sua prima e que não mantinha contato com a mãe biológica.
Em outro episódio, um homem de 23 anos declarou que um menino de 5 anos era seu filho e apresentou documentação falsa. Após o resultado negativo, reconheceu que era apenas namorado da mãe da criança e sequer soube informar seu nome completo.
Também foi registrado o caso de uma mulher de 24 anos que afirmou ser mãe de um menino de 8 anos. O exame apontou, com 99,99% de certeza, que não havia relação biológica. Ela admitiu ter levado a criança sem ser sua mãe e utilizado documentação falsa na tentativa de obter liberação conjunta.
Em vários casos, segundo os registros, os adultos confessaram a fraude depois de serem informados de que seriam submetidos ao teste.
Os dados disponíveis indicam, portanto, que os resultados negativos registrados pelo programa não correspondem predominantemente a famílias que descobriram de forma inesperada a inexistência de um vínculo biológico. Nos casos documentados, o padrão mais recorrente envolve alegações deliberadamente falsas de parentesco, aparentemente utilizadas para obter o tratamento destinado a unidades familiares com menores ou facilitar a liberação.
O ICE e a CBP defendem o uso dos testes como ferramenta de proteção de crianças e de combate ao tráfico humano e ao contrabando de migrantes. Críticos, por outro lado, questionam a coleta de informações genéticas e ressaltam que o DNA não identifica vínculos afetivos ou relações familiares construídas sem parentesco biológico.
Ainda assim, nos casos selecionados para investigação por suspeita de fraude, os registros oficiais mostram um padrão consistente: quando o teste contradiz a alegação de parentesco, é comum que a ausência do vínculo biológico já fosse conhecida pelo adulto envolvido.


