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Tem coisa que a política americana teima em transformar em teatro. O caso do brasileiro Heriton Da Silva Aredes, preso pelo ICE em Taunton no dia 6 de agosto, é um desses.
Segundo o Boston Herald e o próprio ICE, o brasileiro foi libertado depois de pagar fiança em 25 de julho, após ser acusado de homicídio veicular por operação negligente. Saiu da Casa de Correções de Bristol sem que o pedido de detenção de imigração fosse honrado ou o ICE fosse notificado. Não era a primeira vez. Em agosto de 2023, depois de ser preso pela Polícia Estadual de Massachusetts em Middleboro, ele já havia sido solto — e foi exatamente esse episódio que, segundo o ICE, o colocou no radar da agência federal. Mais tarde, o Departamento de Polícia de Stoughton o libertou novamente após outra prisão, antes que o ICE pudesse agir.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) informa que Heriton Da Silva Aredes havia sido removido dos Estados Unidos em 14 de outubro de 2008, com base em uma ordem final de remoção de junho daquele ano. Reentrou ilegalmente em data e local desconhecidos.
Além das acusações pendentes de homicídio veicular, o Boston Herald e o ICE relatam que ele carrega uma longa ficha criminal nos Estados Unidos: condenações anteriores por agressão e agressão com arma perigosa, agressão e agressão, uso de veículo automotor sem autorização, recusa em se identificar enquanto conduzia, fornecimento de nome falso, operação imprudente e recusa de identificação.
As cidades santuário juram de pés juntos que protegem o imigrante honesto — aquele que acorda às 5 da manhã para lavar pratos, construir casas ou dirigir Uber, pagando impostos e não pedindo nada de graça. Ninguém decente quer caçar esses milhões que sustentam a América real e muito menos defende que isso seja feito. Até aí, o argumento faz sentido.
Mas o que acontece quando o mesmo manto “humanitário” que protege esses trabalhadores também cobre o reincidente, o violento, o cara com múltiplas passagens pela Justiça? A resposta da esquerda democrata costuma ser o velho truque rousseauniano: “o criminoso não é culpado, a sociedade é”. Jean-Jacques Rousseau, no século XVIII, escreveu que o homem nasce bom e puro, e que é a sociedade — com suas desigualdades e instituições — que o corrompe. Daí a ideia que virou álibi moderno: o indivíduo não carrega culpa plena; a culpa é coletiva. O criminoso vira vítima sistêmica, e qualquer punição rigorosa seria punir a vítima, não o algoz.
É exatamente essa lógica que transforma a proteção legítima ao trabalhador em escudo indiscriminado. O xerife de Bristol, Paul Heroux, diz que a lei estadual o impede de segurar alguém depois da fiança. Tecnicamente, pode até ter razão. Na prática, o resultado é outro: o ICE é obrigado a caçar imigrantes indocumentados nas ruas, operações ficam mais caras, e no meio do caminho aparecem os “colaterais” — trabalhadores sem ficha que acabam na rede.
O iCE não informou quantos outros imigrantes foram detido durante a busca pelo brasileiro Heriton Da Silva Aredes ou se houve algum efeito colateral.
Justiça não é tratar o honesto e o bandido como gêmeos siameses. É distinguir. Proteger quem constrói e remover quem destrói. Sem isso, continuamos reféns de uma moral que absolve o reincidente, condena a vítima e transforma o cidadão comum no bode expiatório de uma utopia que só funciona no papel.
A sociedade não corrompe ninguém. Criminosos escolhem cometer crimes. E quando as autoridades policiais, como acorreu em Bristol, se recusam, de propósito, a entregar quem já mostrou o que é, o nome disso não é humanidade. É cumplicidade ideológica.
O brasileiro Heriton Da Silva Aredes não é símbolo de nada. É só mais um caso entre muitos outros. Mas casos assim se acumulam. E, de grão em grão, a paciência se esgota.
#Breaking: ICE Boston @EROBoston has apprehended an illegal immigrant from #Brazil with a lengthy criminal history, including pending vehicular homicide charges, in southern #Massachusetts after the @BristolSheriff’s Office and Sheriff @PaulHeroux refused to honor a detainer…
— Tim Dunn (@ConsiderMeDunn) August 19, 2026


