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Brasília, 27 de maio de 2026 — A intensificação das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) sob o segundo mandato de Donald Trump tem gerado um dos maiores fluxos de deportações de brasileiros já registrados. Segundo reportagens publicadas nesta semana por O Globo eValor Econômico, 17 mil brasileiros estariam atualmente detidos sob custódia do ICE, aguardando vaga em voos de deportação.
De janeiro de 2025 até 30 de abril de 2026, 4.199 brasileiros foram efetivamente deportados em 51 voos fretados e pagos pelo governo americano, a maioria com destino ao Aeroporto Internacional de Confins (MG). O dado de deportados vem do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Já o número de 17 mil é atribuído diretamente ao Itamaraty.
Conforme o Valor Econômico: “Segundo o Itamaraty, outros 17 mil aguardam, presos, para serem incluídos em voos de volta ao Brasil”. A matéria de O Globo traz formulação semelhante, descrevendo os 17 mil como detidos e à espera de inclusão nos voos de remoção.
Contexto e proporção expressiva
Se confirmada integralmente, a cifra representaria algo em torno de um quarto da população total atualmente detida pelo ICE (estimada entre 60 mil e 73 mil pessoas no período). Trata-se de uma fatia significativa, ainda que a comunidade brasileira nos Estados Unidos seja numericamente menor que as de mexicanos, centro-americanos ou venezuelanos.
Especialistas em migração observam que o aumento foi concentrado em polos como Massachusetts, Flórida, Nova Jersey e partes de Nova York, onde a presença brasileira é mais densa. No entanto, não há ‘breakdown’ público recente do próprio ICE que permita cruzamento independente por nacionalidade nos centros de detenção.
Comparação com dados anteriores
Em novembro de 2024, antes da posse de Trump, o ICE já registrava quase 38 mil brasileiros com ordem final de deportação (final order), mas esses números referiam-se ao chamado non-detained docket* — ou seja, pessoas com sentença de remoção, porém não necessariamente presas. A informação consta de documento oficial obtido pela Folha de S.Paulo.
A passagem de dezenas de milhares com ordem pendente para 17 mil efetivamente detidos em pouco mais de um ano seria compatível com a política de endurecimento migratório implementada a partir de 2025, que priorizou detenções e aceleração de remoções.
Ressalvas importantes
Até o momento, o número de 17 mil **não foi divulgado em nota oficial pública no site do Itamaraty ou do MDHC, mas foi repassado pelos órgãos à imprensa. Fontes americanas independentes (TRAC Immigration, Vera Institute, Deportation Data Project) não publicaram, até agora, detalhamento por nacionalidade que confirme ou refute exatamente essa contagem de detidos.
É comum, em temas migratórios, haver diferenças entre os dados consolidados por governos estrangeiros (via consulados) e as estatísticas operacionais do ICE, que nem sempre atualizam em tempo real a distinção entre detidos físicos e pessoas em monitoramento ou com processos pendentes.
O governo brasileiro tem atuado por meio do programa “Aqui É Brasil”, lançado em agosto de 2025, para prestar acolhimento humanizado aos repatriados — com transporte, apoio psicológico, documentação e ações de reinserção. A ministra Janine Mello tem destacado o aumento da frequência dos voos: de mensal para quinzenal e, agora, semanal.
A magnitude dos números — se confirmada na íntegra — revela o impacto da imigração irregular brasileira dos últimos anos e os desafios logísticos e humanitários que o endurecimento da política americana impõe tanto aos migrantes quanto aos dois governos.
A situação continua em monitoramento pelo Itamaraty e pelo MDHC. Qualquer atualização oficial dos números será fundamental para dimensionar com precisão o alcance dessa onda de deportações.


