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Boston, 27 de maio de 2026 — O estado de Massachusetts certificou oficialmente a primeira união de motoristas de aplicativos de transporte (rideshare) dos Estados Unidos. A App Drivers Union (ADU) foi reconhecida na última sexta-feira pelo Departamento de Relações Trabalhistas do estado e já tem o direito de negociar diretamente contratos coletivos com Uber e Lyft.
A certificação foi celebrada na manhã desta terça-feira (26) com uma cerimônia nas escadarias da State House, com a presença da governadora Maura Healey, líderes sindicais nacionais e dezenas de motoristas.
“Vocês fizeram história. O que vocês conquistaram mostra o que é possível quando as pessoas se unem e trabalham juntas”, declarou a governadora Healey. “Isso envia uma mensagem importante para o resto do país. Massachusetts está orgulhosa. Vocês reivindicaram seu direito à união e agora são os primeiros motoristas de rideshare sindicalizados dos Estados Unidos. Isso muda o jogo para os trabalhadores de aplicativos em todo o país.”
A criação da ADU foi viabilizada após os eleitores de Massachusetts aprovarem, em 2024, uma medida de iniciativa popular que permite a sindicalização dos motoristas de apps, com 54% dos votos.
A união conta com o apoio de duas grandes centrais: a 32BJ SEIU e a International Association of Machinists and Aerospace Workers.
April Verrett, presidente nacional da SEIU, celebrou a conquista: “Por tempo demais, a economia de gigs foi construída sobre um acordo de tolos: as empresas enriqueceram enquanto os trabalhadores mal conseguiam sobreviver. Massachusetts virou esse jogo. Esses motoristas tiveram a coragem de reescrever as regras e conquistar sua união” (gigs é um termo amplo usados nos USA para definir o modelo de trabalho baseado em ‘bicos’, tarefas ou serviços pontuais, geralmente negociados diretamente entre um prestador e serviços e uma pessoa interessada em obter esse serviços mediante pagamento previamente negociado agora essa negociação pode ser intermediada por um sindicato).
A certificação abre caminho para negociações diretas com Uber e Lyft. Paralelamente, o Departamento de Utilidades Públicas (DPU) analisa novas regras para empresas de transporte por aplicativo, incluindo obrigatoriedade de frota elétrica, maior fiscalização de antecedentes, limitação de horas trabalhadas e segurança de passageiros.
A App Drivers Union enviou carta ao DPU no dia 16 de maio pedindo a suspensão das novas regulamentações até que as negociações coletivas sejam concluídas, argumentando que algumas medidas podem prejudicar o processo de barganha.
Uber enviou nota destacando o acordo de US$ 175 milhões firmado em 2024 com a Procuradoria-Geral de Massachusetts, que garantiu pagamento mínimo de US$ 32,50 por hora, licença médica remunerada e outros benefícios. A empresa disse que vai negociar “de boa-fé” com a nova união.
A Lyft não se manifestou até o momento.


