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CHELMSFORD, 26 de maior de 2026 — O juiz de imigração George Pappas, demitido em julho de 2025 do Tribunal de Imigração de Chelmsford, no estado de Massachusetts, entrou com uma ação federal contra o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusando a administração Trump de promover uma “purga politicamente motivada” de magistrados em todo o país.
Na petição, Pappas afirma que sua demissão integra um esforço deliberado para minar a independência dos tribunais de imigração e substituir juízes considerados insuficientemente alinhados à agenda de endurecimento migratório do governo. Ele alega discriminação por origem nacional (grego-americano), idade (68 anos) e associação política, além de contestar a interpretação do Executivo de que juízes de imigração são “oficiais inferiores” e podem ser demitidos a qualquer momento com base no Artigo 2 da Constituição.
Pappas, que atuou por duas décadas como advogado de imigração e prestou serviços pro bono a organizações de defesa de imigrantes, recebeu as melhores avaliações de desempenho durante seu período de dois anos no cargo. Em relatório de março de 2025, o juiz assistente-chefe David Cheng destacou sua eficiência e capacidade de aplicar feedback. Apesar disso, em 11 de julho o Executive Office for Immigration Review (EOIR) informou que não converteria sua nomeação provisória em permanente — procedimento padrão para juízes bem avaliados. Onze dias depois, ele foi colocado em licença administrativa e demitido.
Ao apresentar queixa interna por discriminação, o Departamento de Justiça a rejeitou, sustentando que juízes de imigração podem ser removidos “a vontade”. A ação federal classifica essa posição como uma “reinterpretação ampla e sem precedentes” do poder executivo que, se aceita, retiraria de amplas categorias de servidores a proteção das leis antidiscriminação.
Padrão de demissões
O processo descreve um padrão mais amplo de remoções que teria atingido juízes com histórico de defesa de imigrantes, trabalho em ONGs ou representação de solicitantes de asilo. Segundo a ação, memorandos emitidos no início de 2025 pela então procuradora-geral Pamela Bondi e pela então diretora interina do EOIR, Sirce Owen, encerraram iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) e criticaram contratações da administração anterior, afirmando que pessoas de “determinados backgrounds” haviam recebido tratamento favorável.
A petição ainda menciona declarações públicas de Bondi e do assessor Stephen Miller acusando organizações de direitos de imigrantes de promoverem fraudes. No mesmo período, o EOIR teria demitido um número desproporcional de juízes de origem hispânica, do Oriente Médio e sul-asiática — especialmente aqueles com mais de 40 anos —, enquanto manteve magistrados com experiência anterior no Departamento de Segurança Interna (DHS), como promotores ou agentes da lei.
Dos 38 juízes nomeados em julho de 2023, cerca de 20 não tiveram a nomeação convertida em permanente. “Todos os juízes daquele grupo com sobrenomes hispânicos, do Oriente Médio ou sul-asiáticos foram demitidos”, sustenta a ação.
Pappas declarou ao jornal local The Sun logo após a demissão: “Quem não foi demitido? Juízes que eram advogados do Departamento de Segurança Interna, ex-promotores, ex-agentes da lei.”
Contexto de endurecimento
Enquanto demitia juízes, o Departamento de Justiça passou a anunciar vagas para o que agora chama de “juízes de deportação”, com salários entre US$ 159.951 e US$ 207.500, inclusive em Chelmsford e Boston — as mesmas cortes onde Pappas atuava. As vagas oferecem bônus de 25% para novos contratados em estados com alta rotatividade.
O sindicato que representa os juízes de imigração, a International Federation of Professional and Technical Engineers, informou em julho passado que mais de 100 magistrados foram demitidos ou pediram demissão desde o retorno de Trump ao poder.
Pappas descreveu um ambiente deteriorado no tribunal de Chelmsford, com pressão de supervisores para decisões alinhadas à agenda de enforcement, presença constante de agentes do ICE e temor generalizado de demissão. “O tribunal agora está em queda livre. Foi dizimado”, disse ele.
O juiz também citou postagem de Trump no Truth Social em abril de 2025: “Não podemos dar julgamento a todos, porque isso levaria, sem exagero, 200 anos.”
A ação pede reintegração ao cargo, pagamento de salários atrasados, danos compensatórios e declaração judicial de violação das leis federais de direitos civis. O Departamento de Justiça não respondeu aos pedidos de comentário. Pappas encaminhou as perguntas para seus advogados, que não se manifestaram imediatamente.


