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O término do Status de Proteção Temporária (TPS) para cerca de 45 mil haitianos em Massachusetts, oficializado na segunda-feira, 27 de julho, coloca em risco setores críticos da economia estadual. Mais de 10 mil desses trabalhadores — muitos dos quais residem legalmente no país há quase duas décadas — ocupam postos fundamentais em cuidados de longa duração, hospitalidade, construção e transporte. A medida, viabilizada por decisão da Suprema Corte no mês passado, autoriza a Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) a intensificar detenções e deportações em escala nacional, envolvendo cerca de 350 mil beneficiários. Informou uma reportagem publicada nesta terça-feira, 28, pelo Boston Globe.
De acordo com a publicação, o setor de serviços humanos é um dos mais afetados. Provedores de cuidados a idosos e pessoas com deficiência afirmam que a atividade não se sustenta sem a mão de obra imigrante. Esses profissionais passaram por verificações de antecedentes e cumpriram plantões noturnos e funções essenciais com o mesmo desempenho e dedicação de sempre — a única mudança foi a documentação de status legal. Um relatório de abril de 2026 do Conselho de Provedores e do Instituto Donahue da Universidade de Massachusetts já alertava para uma crise profunda e persistente de força de trabalho: uma em cada seis vagas de cuidado direto está desocupada. Três organizações isoladamente perderam mais de 200 funcionários por causa das mudanças recentes na política migratória, e mais de dois terços das agências pesquisadas relataram aumento de estresse, medo e ansiedade entre suas equipes.
Na grande Boston, uma grande instituição que oferece cuidados de longa duração, reabilitação e serviços residenciais a 4.500 idosos por dia desligou 36 trabalhadores haitianos com TPS na segunda-feira. A organização preparou-se por meses e conseguiu repor cerca de 75% das vagas por meio de um instituto de formação de auxiliares de enfermagem criado recentemente, que já treinou 110 alunos no primeiro ano. Ainda assim, a lealdade e o vínculo construídos ao longo do tempo são difíceis de substituir. Esses profissionais eram membros produtivos da sociedade e contribuintes da economia até o horário final de validade de sua autorização de trabalho. Fundos de assistência e bônus de desligamento foram disponibilizados, mas a perda de relações de longo prazo com residentes e pacientes pode transformar um dia comum em situação de crise.
Agências de trabalho temporário podem preencher parte das lacunas, porém os custos dobram — de cerca de 20 para 40 dólares por hora — e os contratos com o Estado não permitem reajuste de preços. Isso obriga os provedores a adiar investimentos em tecnologia e transporte. Em uma organização de Marshfield voltada a pessoas com deficiências de desenvolvimento, 17 trabalhadores foram dispensados na sexta-feira anterior, parte de um total de 119 imigrantes perdidos por mudanças de política. Muitos tinham mais de uma década de casa e nenhum deseja retornar ao Haiti; alguns tentam se dirigir ao Canadá.
Massachusetts tem a segunda maior taxa de migração internacional do país, fator essencial para compensar a baixa natalidade. Um relatório do MassINC Policy Center e do Boston Indicators estima que o estado precisa de pelo menos 60 mil imigrantes líquidos por ano até 2030 para manter a população em idade ativa. A chegada de novos imigrantes, no entanto, caiu acentuadamente no segundo mandato do presidente Donald Trump, colocando a economia sob risco de contração até o final deste ano.
O Departamento de Segurança Interna argumenta que o TPS funcionou por tempo demais como um programa de anistia de fato, embora o Congresso nunca o tenha concebido como permanente. A mensagem oficial é de que chegou a hora de encerrar a permanência. Autoridades locais, por outro lado, alertam para consequências significativas para famílias, empregadores e serviços essenciais. Os titulares de TPS haitianos são descritos como contribuidores essenciais à estabilidade e ao crescimento econômico estadual, e a perda súbita de status e autorização de trabalho é vista como devastadora. A decisão é considerada cruel por ignorar a violência e a crise humanitária contínuas no Haiti, ameaçando separar famílias.
O Departamento de Estado dos EUA mantém o nível mais alto de alerta de viagem para o Haiti, citando crime, sequestro, terrorismo, agitação e sistema de saúde precário. O país está em estado de emergência desde o início de 2024. Muitos dos afetados não possuem laços familiares ou alternativas no país de origem e enfrentam o risco de prisão caso permaneçam nos Estados Unidos ou a instabilidade caso retornem.


