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Segundo reportagem publicada nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, pelo The Independent (republicada no Yahoo News), cerca de 1,6 milhão a mais de mulheres do que homens frequentam faculdades de quatro anos nos Estados Unidos. Essa disparidade, apontada em estudo do National Bureau of Economic Research (NBER), está remodelando as perspectivas de casamento das gerações millennial e Z, com impactos duradouros na estabilidade financeira, especialmente das mulheres sem diploma.
O levantamento mostra que as mulheres com formação universitária conseguiram manter taxas de casamento estáveis ao formar parcerias com homens sem diploma, porém de alta renda. Com isso, reduzem o número de parceiros economicamente viáveis disponíveis para as mulheres sem ensino superior. Durante gerações anteriores, as mulheres formadas contavam com um grupo relativamente amplo de homens também formados. Hoje, a proporção se inverteu: os meninos têm o dobro de probabilidade de estar entre os 10% com piores notas no ensino médio, o que contribui para a menor matrícula masculina nas universidades.
Esse movimento ilustra o padrão conhecido como hipergamia feminina — a tendência de as mulheres preferirem parceiros de status educacional ou econômico igual ou superior. Diante da escassez de homens com diploma, elas passam a escolher aqueles sem formação superior, mas que oferecem rendimentos elevados. O efeito cascata deixa as mulheres sem diploma com opções ainda mais restritas: poucos homens formados ou de alta renda restantes. O estudo indica que, se as tendências atuais se mantiverem, mais da metade das mulheres millennials e da Geração Z sem diploma poderá permanecer solteira, em vez de se casar com homens de baixa escolaridade e renda.
Homens, por sua vez, demonstram menor preocupação com o nível educacional da parceira. Em média, priorizam indicadores de idade reprodutiva — preferindo majoritariamente mulheres abaixo dos 30 ou 35 anos. A estabilidade financeira que torna muitos homens atrativos no mercado matrimonial costuma se consolidar após os 35 ou 40 anos, quando eles já acumularam recursos e status. Essa assimetria de preferências ajuda a explicar por que casamentos entre mulheres formadas e homens sem diploma de alta renda se tornaram mais comuns, enquanto o inverso, homens formados com mulheres de menor escolaridade, sempre foi mais frequente.
Um fator estrutural que contribui para o descompasso educacional — e que pode soar desconfortável para muitos — é a maior variabilidade masculina na distribuição de inteligência e traços relacionados ao sucesso. Conhecida como hipótese das curvas em sino (ou maior variância masculina), ela mostra que os homens ocupam de forma desproporcional tanto o topo quanto a base da curva de capacidade cognitiva e de resultados sociais. As mulheres, por outro lado, concentram-se em maior número na média.
Isso ajuda a explicar por que há mais mulheres na faixa intermediária-alta necessária para ingressar e concluir a universidade, enquanto os homens aparecem em maior proporção tanto entre os de desempenho excepcional (topo de áreas altamente competitivas) quanto entre os considerados “fracassos sociais”: moradores de rua, dependentes químicos crônicos, indivíduos com trajetórias de baixo sucesso profissional e pessoal, e aqueles com taxas mais elevadas de suicídio consumado. As mulheres, por sua vez, predominam no uso de antidepressivos e na busca por serviços de saúde mental, refletindo diferenças na forma de expressar e lidar com o sofrimento.
O estudo do NBER alerta que a combinação desses padrões — escassez relativa de homens formados, hipergamia feminina e deterioração das perspectivas econômicas de muitos homens sem diploma — tende a ampliar a desigualdade matrimonial e financeira. Mulheres vivem, em média, cerca de cinco anos a mais que os homens e se aposentam com cerca de 39% menos poupança, segundo dados recentes. Para as solteiras, os desafios de planejamento de longo prazo se tornam ainda mais acentuados.
A reportagem do The Independent evidencia, assim, não apenas uma mudança demográfica nas universidades, mas um rearranjo mais amplo das dinâmicas de parceria, status e resultados de vida entre os sexos — dinâmicas enraizadas tanto em preferências observáveis quanto em padrões estatísticos de variabilidade que se repetem ao longo do tempo.


