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Brasileiros estão entre os estrangeiros com maior presença na guerra da Ucrânia contra a Rússia, segundo a DW. Números oficiais são sigilosos, mas indícios incluem uma companhia militar majoritariamente de falantes de português liderada por brasileiros e conteúdos de recrutamento em português.
Contagens não oficiais colocam o Brasil na terceira posição em mortes de combatentes estrangeiros, com mais de 100 óbitos, atrás de EUA e Colômbia. O Itamaraty confirmou 92 desaparecidos e 35 mortos, número que mais que dobrou desde dezembro passado.
Após mais de quatro anos de guerra, a Ucrânia estima 125 mil a 150 mil soldados mortos e mais de 200 mil deserções. Em 2022, Volodimir Zelenski convocou estrangeiros. Desde então, mais de 10 mil de 75 países integraram a Legião Internacional.
O brasileiro Giovanni Paese vive há quatro anos no país, atua com drones, casou-se com uma ucraniana e comprou apartamento. “Alguns amigos falaram: o país é bonito, a galera é gente boa, eles precisam de ajuda”, relatou à DW.
A Rússia classifica os estrangeiros como mercenários, sem proteções da Convenção de Genebra. A Ucrânia rejeita: eles assinam contratos e têm os mesmos direitos dos soldados locais. A ONU não os classificou oficialmente como mercenários.
Kiev reformulou contratos com permanência mínima de seis meses, facilidades migratórias e salários de até cerca de R$ 53 mil mensais. Veteranos alertam que poucos enriquecem e muitos caem em vícios. Na linha de frente, as condições são duras, descritas como “moedor de carne”.
O brasileiro Bruno Gabriel Leal da Silva, 23 anos, foi encontrado morto em base ucraniana com sinais de tortura, antes de assinar contrato. Investigações apontam denúncias de abusos em unidade brasileira.
O Brasil não tem legislação específica sobre mercenarismo. O Itamaraty recomenda evitar envolvimento e alerta para limitações da assistência consular em zonas de guerra.



