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Em 6 de agosto de 2026, o mundo assinalou 81 anos desde o bombardeio atômico que mudou o curso da história. Às 8h15, horário exato da explosão da bomba “Little Boy” em 1945, uma multidão se reuniu no Parque Memorial da Paz, em Hiroshima, para a Cerimônia Memorial da Paz. O prefeito Kazumi Matsui, a primeira-ministra Sanae Takaichi e representantes de cerca de 120 a 123 países e regiões (recorde de participação, incluindo a União Europeia) prestaram homenagem às vítimas. Estima-se que cerca de 140 mil pessoas tenham perecido até o fim de 1945 devido à explosão, radiação e queimaduras. O evento, marcado por um minuto de silêncio e o toque do Sino da Paz às 8h15, também trouxe preocupações com a busca crescente por poder nuclear em um mundo tensionado por conflitos.
Entre as vozes que remetem a esse passado, destaca-se o testemunho de Paul Tibbets, piloto do Enola Gay, o B-29 que lançou a bomba sobre Hiroshima. Em entrevista à NPR em 2000, Tibbets descreveu o momento da explosão: “Eu vi o céu à minha frente se iluminar brilhantemente com todos os tipos de cores. E, ao mesmo tempo, senti o sabor de chumbo na boca.” Ele relatou que, onde antes via a cidade, restava apenas “uma massa de detritos fervendo, com fogo e fumaça”. Esse “sabor de chumbo”, segundo estudiosos, pode ter sido causado pela interação da radiação ionizante com obturações dentárias metálicas. Embora estivesse a cerca de 9 km do hipocentro, a intensidade da explosão marcou sua percepção.
Lançada às 8h15 de 6 de agosto de 1945, a bomba matou dezenas de milhares instantaneamente e deixou sofrimento prolongado. Três dias depois, Nagasaki sofreu ataque semelhante, levando o Japão a oferecer rendição e encerrando a Segunda Guerra Mundial. O presidente Harry Truman justificou o uso da bomba como meio de encurtar a guerra, mas o custo humano foi elevado.
Tibbets, que faleceu em 2007 aos 92 anos, defendeu sua missão até o fim. Sua perspectiva contrasta com a dos sobreviventes de Hiroshima, os hibakusha. Em março de 2026, o número de hibakusha com certificados oficiais havia caído para 91.105, com idade média de cerca de 86,7 anos. A organização Nihon Hidankyo, formada por hibakusha, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2024 por sua luta pela abolição das armas nucleares.
Na cerimônia de 2026, o prefeito Matsui criticou a normalização das armas nucleares como ferramentas de dissuasão e o uso delas como instrumento de intimidação por grandes potências. Ele pediu a abolição imediata das armas nucleares e que o Japão participe de conferências relacionadas ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares. China e Rússia não enviaram representantes, enquanto os Estados Unidos foram representados pelo número dois da embaixada em Tóquio. A primeira-ministra Takaichi reiterou o compromisso com os três princípios não nucleares do Japão e uma abordagem realista para um mundo sem armas nucleares.
Oito décadas e um ano após Hiroshima, a cidade permanece como lembrete da destruição que o poder nuclear pode causar e da necessidade de evitar sua repetição.


