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WASHINGTON — Em agosto, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) manteve o ritmo recorde de prisões no interior do país. O total exato do mês ainda não foi publicado. Fontes do Departamento de Segurança Interna (DHS) familiarizadas com dados preliminares indicam cerca de 50 mil detenções, patamar próximo ao de julho. Naquele mês, já com cifra consolidada, o órgão registrou 49.571 prisões, acima das 43.021 de junho. A série aponta crescimento no verão e, até aqui, estabilização no patamar mais alto do segundo mandato de Donald Trump.
O volume de agosto se iguala, na prática, ao recorde mensal da atual gestão. A ofensiva, no entanto, é menos ostensiva do que a do começo do ano, quando a Patrulha de Fronteira percorreu cidade após cidade — sequência que culminou na morte a tiros de dois cidadãos americanos em Minneapolis. As prisões recuaram com força em fevereiro e março, voltaram a subir em maio e bateram marcas sucessivas em junho e julho.
Em junho, a Câmara de maioria republicana aprovou por margem estreita um pacote de cerca de US$ 70 bilhões para financiar o ICE e a Patrulha de Fronteira até o fim do mandato de Trump. A lei de impostos e gastos transformou o ICE na agência de aplicação da lei com maior volume de recursos da história americana.
Parte desse dinheiro tem sido usada na compra de instalações de detenção “prontas para operar” e no planejamento de equipamentos de controle migratório, como luvas elétricas e cães-robô. O ICE também ampliou a capacidade de cárcere. Registros de contratação do governo apontam um novo contrato de US$ 17 milhões para um prestador administrar as operações de um depósito da agência em San Antonio, no Texas.
O quadro que emerge não é o de um pico isolado em julho, e sim o de uma máquina que, com mais verba e menos holofote, sustenta o mesmo patamar de prisões. Agosto, ainda provisório, sugere que o recorde virou rotina.


