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MIAMI — Matías Pourrain viajava a Los Angeles para disputar uma partida de futebol pelo Miami United FC. Em 6 de agosto, o argentino de 34 anos embarcava no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale com os companheiros de equipe quando foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). Vinte e dois dias depois, após pagar fiança de US$ 20 mil, voltou para casa.
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), Pourrain entrou legalmente nos Estados Unidos em novembro de 2019, com autorização de permanência por seis meses, mas permaneceu no país depois de 11 de maio de 2020. O jogador afirma ter um processo migratório em andamento, autorização de trabalho, documento de identidade e número de Seguro Social. A Telemundo 51 informou não ter encontrado antecedentes criminais em seu nome.
“Não machuquei ninguém. Só ia jogar. Trabalho e pago impostos”, disse Pourrain.
Durante a detenção, passou por três instalações: o centro do ICE em Miramar, a prisão do condado de Glades e o Rio Grande Detention Center, em Laredo, no Texas.
É sobre a passagem por Miramar que faz as acusações mais graves. Segundo ele, passou cinco dias sem tomar banho, três sem receber comida e cerca de 35 horas preso a uma cadeira, algemado pelas mãos e pelos pés e preso por uma corrente ao corpo, sem poder se deitar.
“O que eu vivi lá dentro é desumano”, afirmou.
A emissora solicitou ao DHS uma resposta específica sobre as condições relatadas por Pourrain. O departamento não se manifestou.
Em 28 de agosto, ele deixou o centro de detenção em Laredo. As autoridades haviam determinado que usasse um monitor eletrônico no tornozelo, mas Pourrain pediu que a medida fosse revista. Segundo ele, o equipamento poderia prejudicar sua atividade como jogador e o trabalho com crianças.
Um agente consultou o supervisor e, em vez do monitor, Pourrain recebeu um telefone pelo qual deverá ser localizado quando convocado pelas autoridades. Ele também está proibido de se afastar mais de 75 milhas de sua residência. Sua advogada pretende pedir a ampliação do limite, em razão das viagens com o time.
Na despedida, segundo Pourrain, o agente lhe disse: “Que Deus te abençoe, e diga que pelo menos em Laredo te tratamos bem.”
Além de jogar pelo Miami United, Pourrain dá aulas no Key Biscayne Soccer Club e na academia do clube. Por enquanto, descansa. Quer voltar aos campos e ouvir novas propostas.
O processo migratório continua. E, depois de quase um mês sob custódia, ele diz querer apenas retomar a rotina: trabalhar, dar aulas e jogar futebol enquanto aguarda uma decisão sobre seu futuro nos Estados Unidos.


