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BOSTON — Os eleitores de Massachusetts votam nesta terça-feira nas primárias que definirão os nomes nas cédulas da eleição geral de 3 de novembro. A disputa de maior visibilidade ocorre no Partido Democrata, entre o senador Ed Markey, 80 anos, e o deputado Seth Moulton, 47, que tenta convencer o eleitorado de que o partido precisa de renovação.
No Estado, de maioria democrata, a primária costuma ser o obstáculo decisivo. O vencedor tende a prevalecer em novembro. As urnas abrem às 7h e fecham às 20h. Quem estiver na fila nesse horário poderá votar.
A votação antecipada presencial encerrou na sexta-feira. O secretário de Estado, William Galvin, recomendou que quem ainda tiver cédula postal em casa não a envie pelos Correios e a entregue na prefeitura da cidade ou da vila. Segundo ele, o risco de o voto não chegar a tempo supera a chance de ser computado.
Quem perdeu o prazo de alistamento para a primária ainda pode se registrar para a eleição geral até 24 de outubro.
Markey e Moulton dividem o partido
Moulton, considerado moderado, tem repetido que o Partido Democrata está preso ao status quo e questionado o que Markey fará nos próximos seis anos que não tenha feito nas últimas cinco décadas no Congresso. O senador, no cargo desde 2013 e antes deputado pelo 7º distrito de 1976 a 2013, rebate que é o desafiante — e não o titular mais velho — quem está desconectado do eleitorado de Massachusetts.
Markey destaca a lei climática de 2022 e defende o fim da guerra no Irã para reduzir custos de energia. Também critica Moulton por se opor ao “Medicare for All”, embora o deputado defenda saúde universal. Para o senador, a agenda do rival é “voltada para trás”.
Um ponto recorrente da campanha foi a declaração de Moulton, em 2024, de que não queria que suas filhas competissem com meninas transgênero no esporte. Críticos disseram que o discurso ecoava o presidente Donald Trump. Moulton pediu desculpas, afirmou que não pretendia ferir a comunidade trans e, em debate em agosto, disse que apoiará direitos dessa população.
Moulton serviu quatro turnos no Iraque pelos Fuzileiros Navais e foi eleito pelo 6º distrito em 2014. Lançou pré-candidatura presidencial em 2020 e desistiu em poucos meses. Markey já havia barrado, em 2020, o então deputado Joe Kennedy III ao se alinhar à ala liberal do partido.
Outras disputas na Câmara
O mesmo recorte geracional aparece no 8º distrito, no sul de Boston, onde o deputado Stephen Lynch, 71 anos, no cargo desde 2001, enfrenta o advogado Patrick Roath, 39, que pede o fim da política do “espere a sua vez”. Lynch enfatiza o valor da experiência no Congresso. A campanha de Roath tenta capitalizar a derrota, em agosto, do democrata Jim Larson para Luke Bronin, no Connecticut vizinho.
No 1º distrito, no oeste do Estado, o deputado Richard Neal, 77, eleito pela primeira vez em 1988 e decano da bancada da Nova Inglaterra, disputa com o professor Jeromie Whalen, 39. Whalen corre à esquerda, defende o Medicare for All, questiona a oposição de Neal à agenda de Trump e recebeu o apoio da Our Revolution, ligada ao senador Bernie Sanders.
Como votar e onde acompanhar
Cada circunscrição tem local de votação definido. Quem vota presencialmente precisa ir ao posto designado. O Estado disponibiliza ferramenta online para localizar o endereço a partir do cadastro do eleitor.
As perguntas de iniciativa popular entram apenas na eleição de novembro, não nas primárias.
Os resultados começam a ser divulgados após as 20h.
Até as 16h de segunda-feira, a participação nas primárias de 1º de setembro era de 10,6%, com 550.632 cédulas — 460.228 democratas e 90.404 republicanas, segundo o gabinete de Galvin. Houve 71.555 votos antecipados presenciais e 479.077 cédulas postais devolvidas, 66,7% das 718.155 enviadas.
Galvin estimou, na semana passada, participação maior do que em 2022, com cerca de 800 mil votos democratas e 280 mil republicanos, mas ressalvou que o hábito eleitoral mudou desde a última primária de meio de mandato.


