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MADISON, Wisconsin — Em mais uma vitória simbólica da administração Trump na ofensiva contra a imigração ilegal, a juíza federal Lynn Adelman decidiu manter a condenação por obstrução da justiça da ex-juíza Hannah Dugan, que ajudou um imigrante mexicano a escapar de agentes do ICE dentro de um tribunal.
A decisão, anunciada nesta terça-feira, reforça o recado: nem o cargo de juiz protege quem resolve agir como ativista e sabotar o cumprimento da lei federal de imigração.
Dugan, de 67 anos, foi condenada por um júri em 19 de dezembro de 2025. O caso ocorreu em 18 de abril de 2025, quando agentes do ICE compareceram ao Tribunal do Condado de Milwaukee para prender Eduardo Flores-Ruiz, que havia reentrado ilegalmente nos Estados Unidos e tinha um mandado de prisão. Em vez de permitir a ação legal dos agentes, Dugan confrontou-os, alegou que o mandado administrativo não era suficiente e, depois que os agentes se retiraram, conduziu o imigrante e seu advogado por uma porta privativa reservada ao júri. Flores-Ruiz foi preso minutos depois, após perseguição a pé.
A defesa de Dugan tentou anular a condenação alegando que não havia um “procedimento pendente” contra o imigrante — argumento baseado em uma decisão recente de um tribunal de apelações da Virgínia. A juíza Adelman rejeitou a tese. Em sua decisão, ela destacou que a operação do ICE contra Flores-Ruiz era planejada e específica, e que o órgão tem autoridade própria para emitir mandados e efetuar remoções, sem necessidade de envolvimento judicial prévio.
O caso Dugan se tornou um dos primeiros grandes testes judiciais da política de imigração dura do segundo mandato de Donald Trump. Aliados do presidente a classificaram como “juíza ativista” que decidiu colocar sua ideologia acima da lei. Seus defensores, ao contrário, a apresentaram como vítima de perseguição política.
Dugan renunciou ao cargo de juíza estadual duas semanas após a condenação, diante da ameaça de impeachment por parte de deputados republicanos. Ela atuava no tribunal havia nove anos.
Embora enfrente pena máxima de até cinco anos de prisão, especialistas estimam que ela deve receber apenas liberdade condicional (probation), por ser ré primária e o crime ser não-violento.
O precedente perigoso
O episódio expõe um problema mais profundo: setores do Judiciário americano, especialmente em estados e cidades de viés progressista, têm demonstrado crescente resistência à aplicação rigorosa das leis de imigração. Quando juízes começam a atuar como escudos para quem viola a lei federal, o Estado de Direito é enfraquecido.
A defesa de Dugan já anunciou que discorda da decisão e deve recorrer. Mas o veredito de Adelman — ele próprio um juiz nomeado por democratas — sinaliza que nem mesmo a ala mais esquerdista do Judiciário federal está disposta a criar uma jurisprudência que transforme tribunais em zonas francas para imigrantes ilegais.
Enquanto isso, o imigrante Flores-Ruiz, que estava sendo procurado exatamente por reentrada ilegal, já foi removido do país.
O caso serve como alerta claro para o restante do Judiciário: a era de ativismo judicial leniente com a imigração ilegal enfrenta limites cada vez mais estreitos. A lei vale para todos — inclusive para quem veste toga.


