Por : José Soares Leite
Embora o batismo não seja o meio de salvação, todavia indica que uma vez salvo, seguir-se-á no coração do crente, o desejo de obedecer toda a Palavra de Deus a qual integra o Batismo nas Águas como ordenança do Senhor. Imaginemos agora que alguém tendo aceitado a Jesus como Salvador e vivendo sinceramente em comunhão aguardasse para ser batizado na próxima oportunidade. Entretanto, antes que houvesse tal oportunidade, esta pessoa enfermasse e viesse a morrer.
Perguntaria alguém: E então, morreu sem o batismo, será que foi salvo? A resposta para tal indagação é que o batismo não salva, quem salva é Cristo. A questão está associada ao aproveitamento da oportunidade.
Se a pessoa, sem salvação, não teve tal oportunidade, será salva pela misericórdia divina, pois aguardava para demonstrar sua plena obediência. Um exemplo disto é o caso do ladrão que, embora não tendo oportunidade do batismo, creu, confessou-se a Jesus e recebeu a promessa: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). Assim sendo, poderíamos afirmar que o Batismo nas Águas por imersão é um sagrado sinal exterior de uma obra já realizada interiormente no coração do crente. Não há uma exigência bíblica para o uso das vestes brancas no batismo, no entanto, tem se usado tradicionalmente a prática de assim vestir-se, para simbolizar a purificação dos pecados já realizada no dia da conversão.
A FÓRMULA BÍBLICA DE BATIZAR
O próprio Senhor Jesus ensinou como deveriam os celebrantes invocar a Deus durante o batismo. Ele mesmo nos deu a fórmula. Em Mateus 28.19, Jesus ensina: “Batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.
O Pai planejou a nossa salvação (1 Pe 1.2,3), o Filho a executou (Jo 19.30) e o Espírito Santo nos convenceu aceitá-la (Jo 16.8). Fomos salvos por uma operação conjunta das três Pessoas da Trindade. Não haveríamos de ser batizados em nome Deles? É claro que sim.
Alguns opõe-se a isso, dizendo que em Atos 2.38 e 19.5, o batismo era em nome de Jesus exclusivamente. Na verdade, em Atos 2.38, Pedro não está dando um novo mandamento de batizar apenas em nome de Jesus, mas sim está apelando em nome de Jesus para que todos se batizassem conforme o mandamento do Senhor em Mateus 28.19. O mesmo se dá em Atos 19.5, onde não se expressa uma fórmula batismal, porém uma simples declaração afirmando que receberiam batismo as pessoas que reconheciam a Jesus como Senhor e Cristo.
QUEM É QUE PODE SE BATIZAR?
Conforme nos mostram os textos de Marcos 16.16 e Atos 8.37, é necessário que os candidatos ao batismo tenham por experiência os seguintes passos: CRER: A pessoa deve batizar- -se com convicção de estar cumprindo com um propósito divino para a sua vida (Hb 11.6). Visto que as pequeninas crianças não têm pecados de que se arrepender e ainda não exercem a fé, não precisam serem batizadas. Jesus afirmou que das tais é o Reino dos Céus. Alguns afirmam que as crianças precisam ser batizadas por causa do “pecado original”. Sendo assim, o sacrifício de Cristo seria em vão. Estaria sobre nós o pecado de Adão? Não. A Bíblia afirma em Ezequiel 18.4-20 que cada um é responsável pelo seu próprio pecado.
Portanto, o que se batiza precisa crer. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16.6).
ARREPENDER-SE: Não é suficiente acreditar, é preciso arrependimento dos pecados. Em Atos 2.37,38 a Palavra diz que os judeus “compungiram-se em seu coração” e ouviram do apóstolo Pedro: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado…”
ACEITAR A CRISTO: Arrependimento e remorso não são a mesma coisa. Pode se ter remorso, porém não tomar nenhuma atitude em relação a esse arrependimento. O arrependimento sincero exige a tomada de uma atitude reparadora. Quem crer em Cristo e arrependeu-se dos pecados cometidos contra Ele, certamente desejará aceitá-lo como Salvador e Libertador do poder do pecado.
Se alguém se batiza sem que de fato tenha dado os passos iniciais da conversão, tal pessoa terá um batismo que, em si mesmo, está invalidado. Isto explica a razão dos doze homens em Éfeso serem batizados outra vez por Paulo (At 19.1-7). É bom lembrar que conforme nos mostra a Palavra de Deus em Atos 10.47,48, o fato de alguns serem batizados no Espírito Santo antes mesmo de descerem as águas, não faz com que estejam dispensados de obedecerem ao mandamento do Senhor e também serem batizados por imersão como os demais. CONCLUSÃO Devemos nos batizar por sermos salvos.
Sabemos que justificação própria é impossível (Jó 9.1-4; Jr 2.22; Rm 3.20-23), então confiando no poder justicador de Cristo (Rm 5.1; Gl 3.24) devemos crer, arrependermo-nos e aceitando a Cristo como Salvador (Jo 1.12), darmos testemunho de nossa conversão descendo às águas batismais. A Bíblia nos diz em João 2.1 para não pecarmos. Isto é um mandamento.
Porém, afirma o apóstolo que se pecarmos, temos junto ao Pai um Advogado, Jesus Cristo, o Justo. Isto não nos dá a liberdade para pecar, mas a certeza de que se falharmos, involuntariamente, ainda assim poderemos contar com a misericórdia divina.
Em Hebreus 10.25,26 a Bíblia nos orienta a não deixarmos nossa igreja e seguirmos sós, mas, pelo contrário, nos orienta a estarmos juntos e encorajarmo-nos uns aos outros até o dia da vinda de Cristo.
Se algum dia se sentir fraco, desanimado ou propenso ao pecado, procure auxílio pastoral e nunca permita que o pecado volte a dominá-lo. Lembre-se do que menciona o apóstolo Paulo: “Posso todas as coisas Naquele que me fortalece” (Fp 4.13). “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder” (Ef 6.10).
José Soares Leite, é Pastor e Bacharel em Teologia, professor de ensino sistemático de estudos Bíblicos como Professor de Escola Dominical e Faculdade de ensino Teológico em Boston


