Por: Alex Colombini –
Chega uma hora em que ficar calado deixa de ser prudência e passa a ser omissão. O Supremo Tribunal Federal parece ter chegado exatamente a esse ponto diante das graves suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O Estadão publicou um editorial duríssimo, afirmando que Moraes “já é um estorvo para o STF” e falando em um “colapso moral que ameaça o STF”. É pesado. Mas o momento também é pesado.
As informações que vieram a público precisam ser investigadas com seriedade. Suspeita não é condenação, e Moraes tem direito de defesa como qualquer cidadão. Mas, exatamente por ocupar uma das posições mais poderosas do Brasil, ele também tem obrigação de dar respostas claras. Durante anos, Alexandre de Moraes tomou decisões duríssimas, determinou prisões, bloqueios, buscas e retirada de perfis das redes sociais. Sempre falou em defesa da democracia, das instituições e da lei. Pois agora chegou a hora de ele também explicar seus atos.
A regra precisa valer para todos.
A jornalista Malu Gaspar, ao comentar as informações levantadas pela Polícia Federal, afirmou que “quem parece ter defendido os interesses de Vorcaro é o ministro Moraes”. É uma declaração gravíssima e que aumenta ainda mais a necessidade de esclarecimentos. E, no meio de toda essa crise, uma imagem chamou atenção: Moraes e outros ministros do Supremo apareceram descontraídos, conversando e dando risadas após uma sessão.
Claro que ministro pode rir. Mas imagem também comunica.
Enquanto o Brasil discute suspeitas, contratos milionários, relações de poder e uma crise séria dentro do Judiciário, ver ministros gargalhando passa uma mensagem péssima para quem está do lado de fora. Parece o retrato de um Brasil em que quem está no topo dá risada enquanto o povo tenta entender quem fiscaliza os poderosos. O STF precisa decidir o que quer proteger: um ministro ou a própria credibilidade.
Se Moraes não fez nada errado, que uma investigação séria prove isso. Mas, se houve irregularidade, conflito de interesses, favorecimento ou abuso, que existam consequências. Sem proteção. Sem corporativismo. Sem dois pesos e duas medidas. O Supremo é maior do que Alexandre de Moraes e maior do que qualquer um dos seus ministros. Por isso, chegou a hora de abrir os fatos, dar explicações e parar de agir como se nada estivesse acontecendo.
Eles podem continuar rindo. O Brasil não está achando graça.
Porque toga não é escudo.
Suprema é a Constituição.


