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A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência das Nações Unidas, alertou nesta terça-feira, 28 de julho, que redes criminosas têm traficando centenas de milhares de pessoas — muitas delas com boa formação e domínio do inglês — para trabalhar em centros de golpes virtuais, especialmente no Sudeste Asiático. O número de casos continua em ascensão.
As vítimas são frequentemente aliciadas por anúncios falsos de emprego divulgados nas redes sociais, que prometem oportunidades bem remuneradas no exterior. Ao chegar ao destino, têm documentos retidos, ficam trancadas em complexos e são obrigadas, sob violência, ameaças e endividamento forçado (“debt bondage”), a participar de esquemas de fraude online, como golpes sentimentais, investimentos fictícios e estelionatos digitais.
Segundo a diretora-geral da OIM, os casos envolvem vítimas de mais de 80 países e estão se concentrando na Ásia. A agência citou estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime de que as perdas causadas por esses golpes chegaram a até 114 bilhões de dólares no ano passado apenas no Leste Asiático, Austrália e Nova Zelândia. Os “compostos de golpe” da região podem abrigar centenas de milhares de trabalhadores traficados.
Entre 2022 e 2025, a OIM prestou assistência a mais de 3.500 vítimas de criminalidade forçada oriundas de quase 40 países. Os mais afetados foram pessoas da Indonésia, Índia, Sri Lanka, Etiópia, Quênia e Bangladesh. Muitos dos recrutados têm diploma universitário e falam inglês fluentemente, perfil valorizado pelos criminosos para atuar nos esquemas.
Brasileiros entre as vítimas
O fenômeno já alcança cidadãos brasileiros. Em julho de 2026, pelo menos 26 brasileiros — entre eles oito mulheres — foram detidos pela polícia do Laos durante uma megaoperação contra uma rede internacional de fraudes virtuais na capital Vientiane. A ação, realizada no dia 11 de julho, mirava sete residências alugadas e resultou na prisão de 122 pessoas de diversas nacionalidades.
Organizações de combate ao tráfico humano suspeitam que parte dos brasileiros tenha sido aliciada com falsas promessas de emprego e, depois, explorada em “fábricas de golpes” online. Nesses centros, as vítimas são forçadas a aplicar fraudes digitais sob ameaça de violência e com documentos apreendidos. O Itamaraty confirmou que a Embaixada do Brasil em Bangkok acompanha o caso e presta assistência consular.
Casos semelhantes vêm se multiplicando nos últimos anos na região do Triângulo Dourado (fronteira entre Laos, Mianmar e Tailândia), onde complexos controlados por máfias — muitas de origem chinesa — se proliferaram. Brasileiros são atraídos por anúncios de vagas em call centers ou empresas de tecnologia e acabam submetidos a trabalho forçado em esquemas criminosos.
A OIM reforça que o aumento desses casos exige resposta coordenada internacional, tanto para resgatar as vítimas quanto para combater as redes que lucram com o tráfico e com os golpes digitais em escala global.


