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WASHINGTON — A administração Trump escolheu um dos astrônomos mais polêmicos dos Estados Unidos para chefiar um novo conselho científico dedicado a investigar os chamados UAP (fenômenos anômalos não identificados), o termo oficial do governo para os antigos OVNIs. Trata-se de Avi Loeb, professor de Harvard, cosmólogo de renome que já ocupou o cargo de chefe do departamento de astronomia da universidade.
A nomeação, anunciada recentemente, coloca Loeb à frente do UAP Science Advisory Council, um grupo consultivo que reunirá cientistas, especialistas em segurança nacional e até ativistas da área. O conselho deverá avaliar os riscos potenciais à segurança nacional representados por objetos voadores não identificados relatados por militares e civis nos últimos anos, com ênfase em possíveis origens extraterrestres ou tecnologias desconhecidas.
Loeb não é um nome neutro no debate. Conhecido por teses ousadas, ele ganhou visibilidade internacional em 2017 ao sugerir que o objeto interestelar ‘Oumuamua — o primeiro visitante confirmado de fora do Sistema Solar — poderia ser uma sonda ou tecnologia alienígena. Críticos o acusam de sensacionalismo e de fazer afirmações extravagantes com evidências limitadas. Defensores, no entanto, veem nele um cientista disposto a questionar dogmas e a tratar o tema com rigor acadêmico.
A iniciativa se insere num esforço mais amplo da atual administração para aumentar a transparência sobre o assunto. O conselho reportará a um novo UAP Governance Board, vinculado ao Escritório do Diretor de Inteligência Nacional. Nas últimas semanas, o governo já liberou lotes de documentos e vídeos antes classificados, atendendo a demandas antigas de congressistas e da opinião pública.
Para Loeb, o trabalho é comparado a uma “história de detetive”. Ele afirma que começará partindo da premissa de que os fenômenos são de origem humana, mas sem descartar outras hipóteses. O grupo já solicitou ao Pentágono dezenas de vídeos, imagens e relatórios de encontros não explicados. Entre os membros estão figuras como o almirante reformado Timothy Gallaudet, que defende abertamente a possibilidade de origem não humana.
A decisão da Casa Branca divide opiniões. Para alguns, representa um avanço científico necessário num tema historicamente marginalizado. Para outros, carrega o risco de dar credibilidade excessiva a especulações, num momento em que o país enfrenta desafios concretos de segurança. Loeb, que deixou o comando do departamento de astronomia de Harvard em 2020, continua a defender que a humanidade deve estar aberta à possibilidade de não estar sozinha — e de que evidências podem estar mais próximas do que se imagina.
Se o conselho conseguirá separar fatos de ficção ou se produzirá apenas mais controvérsia, só o tempo dirá. Por enquanto, a nomeação recoloca o debate sobre vida extraterrestre no centro da agenda oficial de Washington, com o selo de uma das instituições acadêmicas mais prestigiadas do mundo.


