ATENÇÃO – Se você ou alguém que você conhece (nos Estados Unidos) está tendo pensamentos suicida, ligue para a National Suicide Prevention Lifeline em 800-273-8255 ou envie a mensagem de texto HOME para 741741 ou visite SpeakingOfSuicide.com/resources para informações adicionais. Se você esta no Brasil – O Centro de Valorização da Vida (CVV), em São Paulo, faz um apoio emocional e preventivo do suicídio pelo número 188.
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WASHINGTON — Os centros de detenção do Immigration and Customs Enforcement (ICE) registraram um preocupante aumento de casos de suicídio e automutilação em 2025, com mais de 1.000 chamadas de emergência para o 911 oriundas de ao menos seis instalações em diferentes estados do país, segundo documentos obtidos pela NBC News.
Quatro dias antes do Natal passado, em um centro de detenção no Texas, uma imigrante grávida de 33 anos começou a bater a cabeça contra a parede. Agentes tentaram conduzi-la a um hospital, mas ela resistiu. A chamada ao serviço de emergência foi uma das 28 registradas com graves incidentes de automutilação ao longo do ano: um homem engoliu uma lâmina de barbear, outro ingeriu produtos químicos de limpeza e pelo menos três cortaram os pulsos.
Os casos se multiplicam enquanto a administração Trump intensifica a política de deportações em massa, mantendo um número recorde de imigrantes sob custódia por períodos mais longos e com menor possibilidade de liberação. Até o momento, já foram confirmados cinco suicídios em centros de detenção em 2025 — o maior número em duas décadas. Nos quatro anos da administração Biden, com cerca da metade da população carcerária atual, ocorreram apenas dois suicídios.
Dados oficiais do próprio ICE mostram que a população sob custódia saltou de cerca de 34 mil no governo anterior para quase 60 mil atualmente. O tempo médio de detenção subiu de 36 para 50 dias. O número total de mortes em custódia triplicou em 2025 em relação a 2024.
Especialistas afirmam que os casos de automutilação e suicídio podem estar subestimados. A NBC News solicitou registros de chamadas de emergência em regiões que abrigam os 16 maiores centros de detenção do país. Apenas seis jurisdições — em Washington, Califórnia, Geórgia, Michigan e Texas — forneceram dados detalhados.
“Se há um aumento observado, isso indica que existe um grupo muito maior de pessoas sofrendo problemas de saúde mental”, avaliou o epidemiologista Sanjay Basu, da Universidade da Califórnia em São Francisco, que pesquisou mortes sob custódia do ICE.
Várias instalações apresentaram deficiências graves nos protocolos de prevenção de suicídio. No Centro de Detenção Stewart, na Geórgia — onde ocorreu o suicídio mais recente —, uma inspeção do ICE em março de 2025 revelou que o centro não havia concluído o treinamento de prevenção para todos os funcionários e não realizava as verificações obrigatórias a cada 15 minutos. Em alguns casos, o intervalo entre monitoramentos chegou a 125 minutos.
Desde o início do segundo mandato de Trump, foram identificados 19 casos de não conformidade com os padrões de prevenção de suicídio em centros de detenção em todo o país. Nove suicídios foram registrados no período, todos de homens entre 19 e 45 anos, a maioria por enforcamento.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) e o ICE rejeitam a ideia de que haja uma crise. Em nota, um porta-voz afirmou que a taxa de mortalidade sob custódia permanece em 0,009% da população detida, “em linha com a última década”, e que os imigrantes recebem “um nível de cuidados mais elevado do que a maioria das prisões americanas”.
Críticas de advogados e congressistas
Advogados de imigração e organizações de direitos humanos contestam a versão oficial. Simon Sandoval-Moshenberg, advogado de Maryland, relata que seus clientes permanecem detidos por meses ou até mais de um ano, sem perspectiva clara de liberação. “O problema não são apenas as condições precárias, mas a sensação de desconhecimento sobre quando — ou se — sairão dali”, disse.
Membros do Congresso também denunciam dificuldades para fiscalizar as unidades. O deputado democrata Mike Levin, da Califórnia, afirmou que, em visita surpresa ao centro de Otay Mesa, foi impedido de conversar com detidos, sob novas regras restritivas.
Muitos centros são administrados por empresas privadas, como CoreCivic e GEO Group, que remetem questionamentos ao ICE. Grupos de defesa de imigrantes há anos denunciam superlotação, temperaturas baixas, falta de higiene e precariedade no atendimento psicológico.
O ICE afirmou que “suicídios sob custódia são trágicos e raros” e que segue protocolos rigorosos de intervenção. A agência não respondeu a questionamentos específicos sobre os casos citados.
A escalada de mortes e automutilações ocorre no momento em que a administração Trump expande rapidamente o sistema de detenção para cumprir promessas de deportação em larga escala.
Referencias
- Detention Management – https://www.ice.gov/detain/detention-management
- Detainee Death Reporting – https://www.ice.gov/detain/detainee-death-reporting
- TRAC (Transactional Records Access Clearinghouse) – Syracuse University – https://tracreports.org/immigration/quickfacts/
- Suicides rise in ICE detention; 911 calls detail serious cases of self-harm – https://www.nbcnews.com/politics/immigration/suicides-rise-ice-detention-911-calls-detail-serious-cases-self-harm-rcna344333


