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O ator britânico Sir Patrick Stewart faleceu na quarta-feira (28), em sua casa em Los Angeles, aos 86 anos, após “uma breve e comovente jornada” com a doença de Alzheimer e a demência com corpos de Lewy, segundo anúncio feito nesta quinta-feira (29) por meio de sua conta no Instagram e confirmado por sua porta-voz, Kelly Bush Novak.
Stewart estava sob os cuidados de sua esposa, a cantora Sunny Ozell, e “foi envolvido pelo abraço caloroso da família e dos amigos, cercado de música ao vivo, orações, lágrimas, risos e o tipo de emoção profunda que só ele era capaz de inspirar após uma vida inteira de devoção a todos nós”, diz o comunicado. “Guardaremos para sempre a serenidade e a reflexão em seu rosto, um lembrete duradouro de sua graça invencível.”
Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, no West Riding de Yorkshire, filho de uma operária têxtil e de um ex-sargento do Exército britânico que lutou em Dunquerque, Stewart cresceu em condições modestas e encontrou no teatro um refúgio. Começou a atuar aos 12 anos, influenciado por um professor de inglês que o apresentou a Shakespeare — a quem creditava “literalmente tudo” quando foi condecorado cavaleiro pela rainha Elizabeth II em 2010. Após formação na Bristol Old Vic Theatre School, integrou a Royal Shakespeare Company a partir de 1966, onde permaneceu por cerca de 16 anos e consolidou reputação como um dos grandes intérpretes shakespearianos de sua geração, com papéis em Hamlet, A Tempestade, Antônio e Cleópatra e dezenas de outras produções.
A fama mundial chegou aos 47 anos, quando assumiu o comando da USS Enterprise como o Capitão Jean-Luc Picard em Star Trek: A Nova Geração (1987-1994). O papel, que ele interpretou com gravidade shakespeariana e senso moral, transformou a série em um fenômeno cultural e o acompanhou em filmes e, mais recentemente, em Star Trek: Picard (2020-2023). Paralelamente, deu vida ao Professor Charles Xavier nos filmes da franquia X-Men, papel que reprisaria em Avengers: Doomsday. Sua voz e presença também o levaram a trabalhos em I, Claudius, Tinker Tailor Soldier Spy e incontáveis produções teatrais na Broadway e no West End.
A Marvel Studios lamentou a perda e o descreveu como “um talento singular, um colaborador generoso e um verdadeiro cavalheiro”. O colega de Star Trek William Shatner escreveu: “Sir Patrick foi um amigo, um colega e um ator magnífico. Do palco à ponte da Enterprise, ele trouxe inteligência, graça e um profundo senso de humanidade a tudo o que fez. O Capitão Picard representava o melhor de nós, assim como o homem que o interpretou.” Hugh Jackman, seu parceiro em X-Men, afirmou no Instagram: “Perdemos um dos grandes do palco e da tela. E, para mim, um tremendo amigo e homem. Aprendi tanto com ele.”
Stewart deixa a esposa Sunny e os dois filhos do primeiro casamento, Daniel e Sophie. Em suas memórias Making It So, ele comparava-se ao personagem que o imortalizou: “Como eu, Jean-Luc viveu uma vida incomum que o levou muito além dos limites da experiência humana convencional. Mas também é alguém que permaneceu fiel às suas raízes terrenas, pois são elas que lhe deram identidade. No fim, ele sente o chamado de casa, assim como eu.”
A morte de Stewart encerra uma trajetória que uniu a tradição teatral britânica ao imaginário da cultura pop global, deixando um legado de dignidade, humanidade e excelência artística que atravessou gerações.


